domingo, 31 de agosto de 2008
Visitantes recentes
O que querem insistentes
e que buscam [me perscrute]
os "visitantes recentes"
que vasculham meu Orkut?
E por que tal descaso
em me deixar só pegadas?
Se me visitam por nada,
o fazem só por acaso?
Quem serão esses vultos
que me deixam inquieto?
Serão amigos secretos
ou inimigos ocultos?
sábado, 30 de agosto de 2008
Jovita Xavier Padilha
Tia Jovita
mulher gigantesca
versão gauchesca
de Maria Bonita
Jovita Padilha
de olhar farroupilha
de bota e bombacha
fingindo ser macha
chapéu e chicote
sem luxo ou fricote
Tia Jovita
pioneira tão brava
feita em Guarapuava
onde a saudade palpita
Jovita Xavier
esculpida mulher
em madeira de pinho
pelo seu Sertãozinho
modelada senhora
no inverno de outrora
pelo findo presente
que faz tão-somente
que a vida da gente
vire foto amassada
em outra temporada
[que disparate!]
Saboriemos o mate,
enquanto está quente
antes que o poente
nossa cor arrebate
Aproveitemos o mate,
que no fim, veja só,
tudo volta a ser pó.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Miopia
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Antagonista
Amplitude e exigüidade
Começo e extremidade
Injustiça e eqüidade
Egoísmo e caridade
Brisa e tempestade
Soberba e humildade
Repulsa e saudade
Opostos de verdade?
Frieza e emoção
Conserva e supressão
Parcimônia e profusão
Meiguice e sequidão
Prazer e aflição
Descuido e precaução
Demora e lentidão
Fazem mesmo oposição?
Tristeza e alegria
Marasmo e energia
Franqueza e hipocrisia
Sossego e euforia
Realidade e fantasia
Gentileza e grosseria
Barateza e carestia
Representam ironia?
Palavras que equilibro
E não faço acepção:
São antônimas no livro,
Mas iguais no coração.

Crise
Ou será que é a poesia que faz birra de vez em quando? Talvez seja isso. O fato é que hoje vou dormir sem verso.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Cerejas
Padre Jerônimo não é o único que não entende "essas coisas brasileiras"...
domingo, 24 de agosto de 2008
13
Guerra troiana há 13 séculos de Cristo,
amor de Páris por Helena jamais visto
que se repete ao século XIII, temporada
de amor anônimo em pleno viço das Cruzadas.
Eram treze à távola d'último jantar
São trezes rosas à Rainha do Mar
Treze é primo, é seqüência Fibonacci,
Mistério ágata de treze vívidos quilates.
A 13 de maio na Cova da Iria,
Uns piás enxergaram a Virgem Maria.
Noutro 13 doutro maio, por ventura,
se pretendeu amenizar a escravatura.
Treze romances de Nadine Gordimer
Treze epístolas de São Paulo em turnê
"Até quando, ó Senhor, te esquecerás?"
Pergunta o Salmo [que é 13, aliás]
Treze virgens no paraíso de Allah
esperam o bravo que morrer sem reclamar.
Treze ramais cortando o velho Peabiru
Treze pátrias pela América do Sul
Die Dreizehnlinden apelidada Treze Tílias,
de onze estátuas e outras duas maravilhas.
Treze profetas escritores tem a Bíblia
Treze zepelins dispararam contra a Líbia
Aos 13 anos se descobre a adolescência,
e com mais 13 é que se paira a sapiência.
E até a bola, mesmo que se aburguese,
também depende um tal Clube dos 13.
"Treze Homens e um Segredo" no cimena
"Jim Knopf e os 13 Piratas" sem problema
Verei depois da 13ª pétala da idade,
se o bem-me-quer que diz a flor será verdade.
Só saberei se a flor não for tão insensata,
quando vier o novo mundo da 13ª surata,
vencendo assim a fera estranha como eclipse
que fala o capítulo 13 de Apocalipse.
Poema para a Poetisa
Flor do ipê do pé de Assaí posto
Epopéia nos idos raios de agosto
Ipê mesmo, mão de Deus, dedicatória
caindo angélico nos versos da história
Aproveitar a poesia pra proveta
Chapar de chá até rachar as borboletas
Salgar as rosas que estejam dessalgadas
E adoçar as solitárias calcinadas
E, com lirismo [embora seja um certo fardo],
fazer sorrir o mais revolto Leonardo
A chuva última haverá de ser primeira
que da Medusa apaga o fogo em cabeleira
e molha fértil e de forma tão precisa
a inspiração brotando à mão da poetisa
em Curitiba, pelos parques, pelas ruas
em Peabiru, de pó rubi, de estrelas cruas
para regar, banhar de luz a poesia
eternizar o que compor Bárbara Lia
sábado, 23 de agosto de 2008
Poema do Amor Imperativo
Toca-me!
Um toque sutil que for, um encontro de asas de beija-flor
Um sussurro leve ao ouvido, calafrio abributo atrevido
Um beijo-despertar dum sonho que instiga a sonhar.
Venha!
Neblina amiga das noites de sábado,
é teu beijo banhando meus lábios.
Como brisa que arranca dos montes a aurora,
tal e qual levas meu tudo embora.
Acorda-me!
Que já és a minha manhã, filha da noite, da madrugada irmã
És sonho, és desejo de abraço e de beijo
Que espero como engano sincero
Sinta-me!
Num misto de sentimento, meu coração ciumento.
Viver tua essência e o que eu não vejo: eis meu desejo
Mas os desejos de vez em quando tormam o fogo mais brando
E a brandura nos faz
cúmplices do jamais
Suba!
Sobre as asas da aventura
Onde os sonhos se tornam realidade
Onde não poderemos voar de verdade
Veja!
Confio a minha alma ao teu olhar sábio
A fim de que haja outro eu, um outro Fábio
Coragem!
Presenteia-me o sonho do mundo onde resides
E acompanha-me pela mão nos meus átimos tristes
Entre universos tão distantes
Entre dois mundos tão vizinhos
Aí está meu coração
Toma-o!
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Amar, Verbo Transitivo
Nasço amores
Chego amassos
Moro abraços
Chovo flores
Amanheço idades
Anoiteço brigas
Sorrio cantigas
Choro saudades
Converso festas
Fracasso juras
Morro loucuras
Viajo promessas
"Amo". E sem objeto [direto / indireto]?
"Amo". E sem complemento? Que tom mais cinzento!
"Amo". Sem-eira-nem-beira? Que besteira!
"Amo". E só? Tenha dó!
Que me perdoe Mário de Andrade
e Carlos Drummond me permita,
mas, se o amor não transita,
não é amor de verdade:
É parasita!
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Sopro
domingo, 17 de agosto de 2008
Peabiruta
Eu peregrino
dia por dia,
longa romaria
Eu peregrino
no pó, no espinho
durante o caminho
Eu peregrino
aspirando outros ares
da terra-sem-males
Eu peregrino
piso a terra laranja
que meu pé desarranja
Eu peregrino
e se às vezes me exalto
não prefiro o asfalto
em rastros inteiros
de outros romeiros
Eu peregrino
Faço irmão o destino
e irmãs as estrelas
e mesmo sem vê-las
Peregrino

Foto da Peregrinação pelo Caminho do Peabiru, promovida pelo NECAPECAM [Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na Região de Campo Mourão-PR], no trecho entre Engenheiro Beltrão, Terra Boa, Peabiru e Araruna. Setenta quilômetros a pé e a pó.
sábado, 16 de agosto de 2008
Eclipse
Carneiro ao Vinho
Festa típica no Sul
Culinária que tem gosto
do meu chão, Peabiru
Gosto rude do Pinheiro
da Bica do Saltinho
da Maria-Fumaça
indiscreta no Trevinho
Da Mata do Eurico
ninho dos colibris
da trilha do índio
da majestosa Matriz
Tem gosto de procissão
pelas noites de Quaresma
Sabor bom de São João
da fogueira grande em festa
em 14 de Dezembro
tem um gosto brasileiro
e do resto que não lembro
Carne de ovelha
já temperada
Tomate e cebola
bem fatiada
Alho e salsinha
[pra dar um cheiro]
Se quiser, cebolinha
[ou outro tempero]
Batata picada
em cubos grosseiros
Óleo de oliva
[toque especial]
pimenta-do-reino
colheres de sal
Bem misturado
com muito carinho
E tudo regado
a dois litros vinho
Tampada a panela
é tacar fogo nela
depois de uma hora e pouca
e muita água na boca
e é só comê-lo então
com arroz e com pirão
Carneiro ao molho de vinho
Igual iguaria não há
Sabor delicado, aroma divino
Melhor gororoba do Paraná
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Ausência
Internet, celular, saudade
Ônibus, rua, passos
Mãos, beijos, abraços
Refri, olhar, vontade
Harmonia de covardia e bravura
Percorre meu teimoso pensamento
Que pronto me diz por alento:
Nossa história não foi só aventura
Em cada giro lento do ponteiro te penso
E desejo ter-te no aconchego do meu braço
Ouvir no teu seio o pulsar em descompasso
Sentir-te o cheiro qual aroma do incenso
Papel, lápis, movimento
Computador, delete
Café, música, tapete
Ausência, sentimento
Espera, espera, espera...
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Felicidade
Tempestade gaúcha
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Rua dos Bobos, № 0
Mas, assim como ela, todos os dias, muita gente boa vai embora desapercebida: o bombeiro que morreu queimado cujo salário mal dava pra pagar as despesas de casa; o jovem que fazia trabalhos voluntários na periferia; a freira que deixou o conforto da pátria materna e foi assassinada por defender a causa dos pobres; os torturados desaparecidos durante a ditadura militar... Gente de todos os tipos, de idades diversas, com sotaques e ideologias diferentes, que, quando vivos, não receberam nada além de portas na cara, risadinhas e comentários irônicos, indiferença, descrédito e ingratidão, muita ingratidão... quem sabe até ganharam meia-dúzia de elogios [clichês] fingidos e forçados, falas prontas repetidas trocentas vezes em cenas de novelas. E, depois de mortos, homenagens. Vãs. Vazias. Artificiais, com jeito de plástico made in China. E é sobre isso exatamente que tenho pensado nesses dias.
Que é dar a um conjunto habitacional o nome de um político honesto? [Sim, eles existem.] Nada! O que vale mesmo é vestir a camisa da honestidade e bater o pé quando esta faltar.
Os bão-da-boca sabem disso, minha gente. Ah, se sabem! Confiam devotamente, de olhos fechados, na passividade, na imbecilidade das massas; porque sua consciência, sua criticidade, eles soterraram no concreto do obelisco.
Muito pouco mesmo.
Tributo aos amigos
Meu coraçao peabiruta
Gratidão fertiliza
E obrigado tributa
Aos meus caros amigos
Que de forma precisa
Me abrandam perigos
E dividem comigo:
Piadas
Brinquedos
Problemas
Torpedos
Cachaça
Segredos
Suas preces
Seus medos
Aos amigos de berço
Aos amigos de acaso
Aos amigos de terço
Aos amigos de passo
Aos amigos à vista
Aos amigos a prazo
Aos amigos de trampo
Aos amigos de aço
Aos amigos grandes
Aos amigos pequenos
Aos amigos sinceros
E aos mais ou menos
E a quem do meu lado
Peregrina essa estrada
Um abraço apertado!
Uma Skol bem gelada!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Rivestita di Sole
domingo, 10 de agosto de 2008
Chuva dominical
Nos domingos mais tristonhos
turbulentos de quietude
É a densidade dos meus sonhos
que me devolve a juventude.
Pai
De você, amo o silêncio
e não as palavras
Prefiro as não ditas, as caladas
omissas
De você, amo a prudência
dizer ponderado, vizinha distância
concisa
De você, amo o terço
e os joelhos constantes, dobrados
devotos
De você, amo os calos
nas mãos operárias, pedreiras
dignas
Amo-lhe ainda a instrução imperfeita
as letras trêmulas, vacilantes
breves
De você, amo o que os outros não amam
e tudo que não sei expressar além
do empecilho.
A rudeza que estes versos reclamam
dizem apenas que quero-lhe bem.
Teu filho.
Torre de Babel
Habitamos uma só tribo,
que circunda este planeta.
A fumaça dant'escribo
é que publica igual gazeta.
Construímos um edifício
em plena mata selvagem
e fazemos da linguagem
arco que dispara míssil
Nossa língua não se entende
nem entre os conterrâneos.
Pois o que há nos nossos crânios
já não é mais transparente.
E por mais que nós falemos
de modo igual este idioma,
nos fechamos em redoma
bem maior do que já temos.

Sino apaixonado
No esplendor da matriz
santuário divino
a cantiga do sino
a cidade bendiz
Sino, feito viola,
lá no alto da igreja,
em canção sertaneja,
minha terra namora.
Canta, bronze amigo,
tua paixão comovente,
que o peito da gente
te dá paga e abrigo.
Canta teu suave libido
pois um dia quem sabe
antes que a missa se acabe
sejas correspondido.

sábado, 9 de agosto de 2008
Algea, eleison!
cujo nome é coração.
Cheque pré-datado
Escrevo meu caminho à caneta
O que está feito, está feito
Não tem jeito
Uso lápis de vez em quando
Mas não que o medo me retenha
Se há perigo, pois que venha!
Que continuo rabiscando
Mas se eu rabisco em grafite
não uso nunca borracha
que zomba, esculacha
sem dó nem limite.
Assim faço meu destino
Sem rasuras de errorex
Pois a rubrica dos meus cheques
Sou eu mesmo que assino.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Papel de parede
Saudade feroz
de quando as paredes ouviam,
condenavam, proibiam
a nossa voz
Errávamos menos
quando as paredes tinham ouvidos.
Pois precavidos,
éramos plenos.
Hoje os ouvidos têm paredes.
Não é esquisito?
Pois nem meu grito
tu já não sentes.
Reclamo em vão...
Mas se há paredes
Pintemo-las verdes
pra ocultar solidão
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Parafina
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Château Lafite Rothschild no elevador
Se o que se fala dos extintos
fosse dito ainda em vida
com mesma lábia devida
e semelhante instinto
quem sabe nem morressem
os que cruzam labirintos
Pois palavra cura
Palavra é ânimo
Potência pura
Poder anônimo
E a vida é festa
completa e única
somos convivas
com mesma túnica
Somos garçons em black tie
com palavras na bandeja
Não servimos verbo que retrai
jamais, a quem quer que seja
É tão besta brindar
com palavra azeda
palavinagres
indigestas
e guardar os vinhos
que são milagres
pra outras festas
Não deixe na estante
taças donzelas
A hora de beber é agora
sem cautelas
sirva o melhor espumante
porque num instante
tudo evapora
Brindemos já, meu amor
que a vida é festa no elevador
que logo chega ao térreo
Não leve tão a sério
o mistério e o que for
Garçom, um copo de licor,
por favor,
de palavras, depressa!
É o que mais me interessa.
Rochas
O receio do novo
distancia estrelas
impede-nos vê-las
O medo da luz
condensa, reduz
homens em pedras
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Solzhenitsyn

Um breve Поезия para ele.
Quem faz da caneta
espada contra o mal
pela paz
se faz
lagarta
Descarta
o casulo
escuro
ressurge borboleta
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Anel de tucum
Em casa, diante novamente do meu teclado, e de anel preto no dedo, apaguei o texto. Ri. Ri sozinho.