quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Xícara na sala

Um agradecimento especial à Prof. Eunice Radtke que levou minha xícara (lembram dela?) para a sala de aula. Ela me mostrou a reprodução do poema que um de seus alunos da 4ª série fez e decidi postá-la aqui.


A poesia foi usada durante um projeto que, entre outras coisas, abordou os poetas paranaenses. À Profª Eunice e a seus alunos, um abraço e um cafezinho!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Poema do Anu-Preto


Não nasci para ser burro
de carga, de presépio

Não esperem o meu sussurro
quando um grito é obséquio

Não me esperem ir no vácuo
mesmo se não há saída

Nem tampouco pedir bênção
a quem vende a própria vida

Não me digam o que eu devo,
o que eu não devo, o que não posso

Muito menos se intrometam,
no que eu creio, no que eu faço

Não queiram, já aviso,
Ensinar padre a rezar missa:

Eu sei bem por onde piso,
nesta areia movediça

Não me alio a puxa-sacos
de opressores, da elite

Não tolero um só palpite
de quem quer o meu “amém”

É que anu que come pedra
Sabe bem o cu que tem.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Caminheiros


Na correria cotidiana, dividido entre vários locais de trabalho em cidades diferentes, estou sempre na estrada. Aliás, nunca trabalhei tanto. Carros, motos, paisagem e relógio disputam minha atenção ao volante. Porém, nada atrai tanto para si meu espírito quanto as pessoas que caminham na beira da pista, solitárias, sem pressa, indiferentes ao tráfego e ao tempo, pensadoras...

Admiro os caminhantes: são eles os verdadeiros filósofos. São eles que, impassíveis, mesmo sob um sol de rachar e ao barulho do trânsito contíguo, mantêm firme e contínua a marcha poética dos pés e da mente. Em que pensam exatamente, não sei.

Conhecer a reflexão destes que perambulam pelos acostamentos talvez seja uma necessidade natural nestes tempos abarrotados de pensadores “eruditos” (aqueles que inventam conceitos novos e os difundem internet adentro para definir tudo aquilo que já tinha sido devidamente conceituado; que consideram demodè ponderar sobre existencialismo, marxismo, teologia e tudo quanto não seja pós-estruturalismo; que elaboram uma linguagem técnico-filosófica própria e fazem com que os demais se submetam a ela; que se esquecem, porém, que seja-lhes necessário morrer cedo: é que os eruditos verdadeiros já descansam em paz há muito tempo). Já estou farto destes “teóricos” repetitivos, iguais, estáticos.

Pra saber do que falo, bastaria lembrar que Sócrates filosofava e ensinava caminhando; Sidarta (que nasceu enquanto a mãe peregrinava) vagabundou um tempão pela Índia; Jesus fez o mesmo na Palestina e não parou nem no sábado. Por isso, insisto: a verdadeira filosofia se faz caminhando, porque quem caminha pensa.

Quem sabe, não estejam por aí outros grandes caminhantes. Gostaria de saber, pelo menos uma vez, o pensamento de tais filósofos silenciosos. Talvez seja a hora de eu começar a caminhar também...