segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Poética

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira
(1886-1968)

domingo, 20 de setembro de 2009

Agradecimento


A realidade de Peabiru não é das melhores. Todavia, a situação já foi bem pior antes da chegada dos padres italianos da Sagrada Família de Bérgamo. Com um trabalho sério, dinâmico e comprometido, eles mantêm há duas décadas trabalhos sociais relevantes, como a Escola São José – onde tenho o privilégio de trabalhar – que oferece uma educação de qualidade a mais 350 crianças em período integral; a Casa Lar do Menor Carlinhos, que acolhe menores em situação de risco social; e o projeto Criança São José, por meio do qual os religiosos assistem a centenas de famílias carentes do município.

No vídeo a seguir, produzido em 1997, fica evidente as razões pelas quais Peabiru deve agradecer, e muito, aos padres italianos.



À Congregação da Sagrada Família, meu agradecimento pessoal e sincero.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Trova Mariana


Rabiscar trovas de amor
em tua honra, ó Maria
É para o teu trovador
a mais pura alegria...

sábado, 22 de agosto de 2009

Professor da Fecilcam receberá prêmio

O professor Fábio Sexugi, da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) vai receber o Troféu Fábio de Carvalho Noronha, uma premiação que é oferecida há 17 anos às melhores crônicas do Concurso Nacional de Poesia, Conto e Crônica da Academia de Letras de São João da Boa Vista - SP.

Com o texto “É hora de dar uma espiadinha!”, sobre reality shows, obteve o primeiro lugar. A cerimônia de premiação acontecerá no auditório da UNIFAE.

O interessante é que São João da Boa vista é vizinha de Limeira, onde, no começo do mês, Sexugi, ficou em segundo lugar no no XII Prêmio Cidadão de Poesia.

Além destes dois prêmios, recebeu outros sete no Brasil, em Portugal, no Uruguai e na Itália.

São eles:
Primeiro lugar no I Concurso Nacional de Poesia Caleidoscópio, promovido pelo Projeto Poesia Pública de Belo Horizonte, em outubro de 2008;

Primeiro lugar no IV Concurso Internacional de Poesía Latinoamericana, categoria espiritualidade, em fevereiro de 2009;

Terceiro lugar no XXIII Concurso Literário Internacional das Edições AG, março de 2009;

Primeiro lugar na categoria poesia e melhor composição literária no III Prêmio Primaverart de Lecce (Itália), em abril de 2009;

Primeiro lugar no Prêmio Letras da Primavera de Anadia (Portugal), em abril de 2009;

Menção Honrosa no X Prêmio de Poesia "Eduardo", de Trentola Ducenta (Itália) em maio de 2009;

Menção Honrosa no IX Concurso de Poesias CNEC/FACECAP de Capivari - SP, em junho de 2009.

domingo, 9 de agosto de 2009

No rumo certo?


Estou indignado. Em agosto do ano passado, neste mesmo blog, denunciei o péssimo estado de conservação em que as ruas da minha cidade se encontravam. Em vão! Um ano depois, as coisas continuam iguaizinhas.

Clique para ampliar.

O registro acima foi feito na tarde deste domingo, 9 de agosto de 2009, num trecho da principal via de Peabiru, a Avenida Raposo Tavares. A foto revela a situação lastimável em que estão quase todas as ruas do município.

Estou indignado porque, por lei, sou obrigado a pagar anualmente o bendito IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores [um tributo, na minha concepção, abusivo] – e não estou recebendo aquilo que seria lógico ter em contrapartida: ruas bem cuidadas.

Digo isso, porque metade do imposto pago volta para os cofres dos municípios: de cada 1 real tributado, 50 centavos voltam bonitinhos para as prefeituras. Para se ter uma idéia, só no primeiro semestre deste ano, de acordo com o site oficial do Governo do Estado, a prefeitura de Peabiru recebeu R$ 342.557,31 como repasse do IPVA dos automóveis emplacados no município! Sim! É isso mesmo! Não acha que seja grana demais pra pouco retorno? Com R$ 342.557,31 daria tranquilamente para cobrir a Raposo Tavares com tapetes árabes e ainda sobraria! É sério! Entretanto, o que eu vejo nessas ações tapa-buraco é o emprego de um material tão vagabundo, que se solta com qualquer chuvinha, expondo novamente as velhas crateras [que, de tão antigas, poderiam ser tombadas como patrimônio histórico peabiruense!].

Pensemos um pouco na situação sócio-econômica de cidades como Araruna [que tem empresas importantes como a Pinduca e a A.J.Rorato empregando dezenas de peabiruenses], de Terra Boa [que dispõe de uma infraestrutura invejável e de atividades culturais sérias], e de Cianorte [que tem se destacado no cenário nacional como a "Capital da Moda"]. Pois bem, todo mundo sabe que são cidades que, embora fora-de-mão, estão num nível de desenvolmento muito superior a Peabiru, situada em plena rota do Mercosul, numa localização privilegiadíssima, que favorece naturalmente o progresso. E o que pouca gente sabe é que Araruna, Terra Boa e Cianorte já foram distritos administrativos de Peabiru, uma cidade que tinha tudo para dar certo, mas que é historicamente mal administrada.

É... estamos atrasados! E para chegar a essa conclusão, bastaria lembrar que já em 1972, Campo Mourão inaugurava seu primeiro semáforo. Peabiru, entretanto, em pleno 2009, ainda nem asfalto de verdade tem direito.


Inauguração do 1º sinaleiro de Campo Mourão, PR / Fonte: Coluna do Ely

Enquanto isso, nós continuando pagando IPVA... que, legalmente, pode ser aplicado em qualquer setor, mas que, moralmente, deveria ser destinado à recuperação de nossas ruas, já que o tributo vem integralmente de veículos. Continuamos pagando impostos e reclamando baixinho da situação nas filas de mercado, nas circulares ou, na melhor das hipóteses, no Boca Santa [mas anonimamente, porque pouca gente tem coragem de assinar o que escreve].

Daqui uns dias, na festa do prato típico, é que nós veremos as "melhorias" das ruas nos meio-feios das calçadas que serão pintados de cal novamente, como manda o figurino, pra inglês ver. É a cereja do bolo que eu falava ano passado.

Ah, caro leitor, tenha cuidado ao andar por estas ruas esburacadas: caso tropece e precise de atendimento médico, vai ter que se virar em Campo Mourão, já que o único hospital da cidade fechará as portas dentro em breve...



E pensar que Peabiru já teve dois hospitais até a década de 80!

De qualquer forma, eu espero que a cidade encontre mesmo seu rumo e ofereça melhores condições de vida para os seus cidadãos pagadores de impostos. Espero que quem administra minha terra se preocupe menos em reinaugurar placas comemorativas [à moda de Sucupira] e cuide mais do que realmente importa.

E, enquanto as coisas não mudam, um poema do Drummond:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

"No Meio do Caminho", Carlos Drummond de Andrade em Revista de Antropofagia, 1928.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

XII Prêmio Cidadão de Poesia


Saiu o resultado do XII Prêmio Cidadão de Poesia, um certame literário que tem por objetivo revelar os novos talentos da lírica em língua portuguesa. Acabei ficando com a 2ª colocação: algo que realmente me deixa satisfeito.

Segue o resultado completo:

Premiados
Primeiro Lugar: Flávia Perez (Campinas/SP)
Segundo Lugar: Fábio Alexandro Sexugi (Peabiru /PR)
Terceiro Lugar: José Carlos da Silva (Mauá/SP)

Menções Honrosas
Alessandra Pires Bertazzo (Curitiba-PR)
Ângelo Pessoa Martins (Cordeiro/RJ)
Carlos Alberto Barros (São Paulo/SP)
Carmen M. da Silva Fernandez Pilotto (Piracicaba/SP)
Fabrício de Queiroz Venâncio (Salvador/BA)
Mariana Ohlweiler (Ivoti/RS)
Sérgio Bernardo (Nova Friburgo-RJ)

A cerimônia de premiação acontecerá no Clube dos Comerciários (entidade que promove o concurso), no no Jardim Limeirânea, em Limeira/SP, no próximo dia 25. A iniciativa do poeta Otacílio Cesar Monteiro, organizador do prêmio, deve ser reconhecida e imitada.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Letras da Primavera


Recebi hoje de manhã, pelo correio, um ofício emitido pelo Prof. Litério Augusto Marques, que é Prefeito (presidente da câmara) de Anadia, cidade portuguesa fundada na época do descobrimento do Brasil, me felicitando pela vitória no concurso literário "Letras da Primavera".

A cerimônia de premiação aconteceu no dia 09 de maio, Dia Mundial da Poesia, na Biblioteca da cidade. Na ocasião, foram lidos o meu poema (vencedor na categoria "Público em geral") e minha mensagem de agradecimento.

No meu discurso, enviado por e-mail aos organizadores do certame, dediquei o prêmio ao poeta anadiense Manuel Alves, um repentista analfabeto, morto no começo do século passado. Sua poesia foi compilada por Tomás da Fonseca. Em Anadia, em homenagem ao poeta, foram dedicados uma rua e um monumento. É dele o poema que segue:

Morri, já não sou poeta,
de escrever cansou a mão!
Os versos que tenho feito
por eles sinto paixão.

Se a poesia tem acções
Que ofendem tanta pessoa,
Porque é que a nobre Lisboa
Festeja o grande Camões?
Mesmo as divinas canções
Vêm do céu por linha recta...
Mas visto que a mão secreta
Constantemente ameaça,
Chegou a minha desgraça:
MORRI, JA NÃO SOU POETA!

Meus versos estão cansados,
Visto que para eles morri...
Estes que eu canto hoje aqui
Fui pedi-los emprestados.
Os meus foram protestados
Por uma infame mão,
Que jurou tentar acção,
Fazer guerra à poesia...
Mesmo quem m'os escrevia
DE ESCREVER CANSOU A MÃO!

Os pastores da Galileia,
Junto à lapa de Belém,
Cantaram versos também
Ao Cristo, rei da Judeia...
Mas hoje a moderna ideia
Ao verso chama defeito!
Consta que um certo sujeito
Mandou já pôr editais
Para eu não cantar mais
OS VERSOS QUE TENHO FEITO!

O grande João de Deus,
Esse poeta moderno,
Por versos mostrou o inferno,
Por versos falou dos céus!...
Porque é que aos versos meus
Se proíbe a execução,
Quando muitas vezes vão
Cingir a honra entre a palma!?
Ai, versos da minha alma,
POR ELES SINTO PAIXÃO!








Obrigado, Anadia!
Obrigado, Portugal!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Germinando


A edição de № 29 da Revista Germina, uma das mais conceituadas publicações sobre arte e literatura do Brasil, dedica um espaço do suplemento literário para a publicação de versos meus em português e italianos.

Além de mim, também estão os escritores: Bruno Prado, Camilo Lara, Carlos Perktold, Casé Lontra Marques, César Cardoso, Demétrio Panarotto, Eder Fogaça, Eduardo Baszczyn, Emerson Pereti, Felipe Stefani, Fernando Koproski, Jairo Faria Mendes, Juracy Ribeiro, Jurema Barreto de Souza, Leonardo Marona, Maíra Matthes, Marcelo Rocha, Mima Carfer, Nilze Costa e Silva, Ordisi Raluz, Roberto Denser, Sarah Forte, Saulo Marzochi, Tião Martins e Valquíria Rabelo.

Um beijo à Silvana Guimarães, coeditora e designer da revista, que enxergou algo de comestível nos meus rabiscos.

Cliquem na imagem acima, ou acessem o link www.germinaliteratura.com.br/2009/fabio_sexugi.htm e comentem, por favor!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ciao, bella Italia!


O blog completou um ano quando voltei da Itália, trazendo na mala o troféu da crítica para a Literatura do Prêmio Primaverart de Lecce, no extremo sul da Itália, conhecida legitimamente como a Cidade das Artes.


O prêmio, conforme já publicado anteriormente, é uma iniciativa conjunta da administração pública leccese e da Universidade de Salento, que pretende estimular e valorizar novos talentos no cinema (curtas, vídeo-clips e spots), na música (piano, violino e canto), na literatura (poesia em italiano, em dialeto e conto) e nas artes plásticas (pintura e escultura), promovendo mostras itinerantes nos lugares mais sugestivos da antiquíssima cidade (colonizada pelos gregos na época da Guerra de Troia!). Neste concurso recebi dois prêmios: fui o vencedor da categoria “poesia em italiano”, além de ser agraciado com o premio da crítica para a literatura, pela melhor composição de todas as demais subcategorias literárias do certame.

A cerimônia de premiação aconteceu no majestoso palácio do governo e foi presidida pela presidente da 3ª Circunscrição, Mariangela De Carlo, contando com a presença de autoridades locais e regionais, da imprensa e de convidados. Recebi o troféu das mãos do prefeito da cidade, que disse ser importantíssimo receber um prêmio literário dessa magnitude, e mais ainda quando não se é falante nativo da língua, como é o meu caso.

Transcrevo, na sequência, o meu discurso, proferido originalmente em italiano:

“Enquanto saúdo os presentes, desejo expressar minha enorme alegria por estar aqui emLecce, recebendo a premiação desse importantíssimo concurso artístico, o Prêmio Primaverart, que reuniu, como os senhores sabem, obras de diversos artistas, não somente italianos.

Para mim, que sou brasileiro de origem e de coração, mas também amante da língua dantesca, este prêmio tem um significado muito especial: conforme os senhores mesmos aludiram enfaticamente, sou o primeiro poeta estrangeiro a vencer um concurso literário na Itália com líricas em italiano. Para mim, além disso, é quase inacreditável que minha poesia, que canta geralmente as coisas simples da vida cotidiana, seja reconhecida aqui na Itália, em Lecce, Cidade da Arte.

Permaneci aqui esta semana e pude ver, em cada giro no imponente e belíssimo centro histórico, que o amor pela arte é sem dúvidas uma das principais características dessa cultura há milhares de anos. Portanto, ser premiado nesta terra de cultura milenar causa-me uma sensação inexplicável.

Não posso, portanto, deixar de agradecer a Deus, a minha família, aos colegas, amigos, alunos e leitores. Um agradecimento de coração à Srª Mariangela De Carlo, presidente da 3ª Circunscrição de Lecce, pelo apoio e pela atenção durante minha estada na Puglia.

Assim diz Camilo Castelo Branco, grande nome da literatura portuguesa: ‘A poesia não tem presente: ou é esperança, ou é saudade’. Assim, espero verdadeiramente que a poesia estimulada pelos senhores possa recordar sempre ao povo leccese o seu glorioso passado, com nostalgia, com ‘saudade’, e o leve a escrever, em belos versos, o próprio futuro.

Muito obrigado a Lecce, terra que levarei comigo dentro do coração com muitas saudades.”

Após a cerimônia, segui para a Universidade de Salento, para uma conversa com os alunos de Letras sobre Literatura Brasiliera e sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Certamente, foi um dos momentos mais importantes e emocionantes da minha vida. Espero que essas premiações motivem a tantos outros, peabirutas ou não, para que também sintam essa ânsia de escrever, de produzir.

Rabiscar, para mim, é uma necessidade, quase física.

Eu vou continuar escrevendo. Conituem lendo meus rabiscos, por favor!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um prêmio português, ora pois!


Meu 7º prêmio literário vem da terra de Camões. O poema Balada do Poeta Biruta arrebatou a primeira colocação no Prémio Letras da Primavera, promovido pelo Município de Anadia, na região central de Portugal. As obras inscritas ficaram expostas na biblioteca municipal da cidade, de 23 de março a 24 de abril, e submetidas à votação pelos visitantes.



O resultado foi divulgado no último sábado, dia 2 de maio.

sábado, 25 de abril de 2009

Vídeo-Poema

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ainda da série "Meus Versos na Europa"


Nem bem me recuperei do susto de receber dois prêmios importantes na Itália, numa mesma semana, fiquei sabendo agora que também fui selecionado para integrar a Antologia "Parole e Poesia" da Casa Editora Il Fiorino, da cidade de Módena (região da Emília-Romanha).

Voglio innanzitutto congratularmi per la bella poesia NASCONDIGLIO. Più la leggo e più mi trasmette emozioni belle. Ti comunico che le tue poesie sono state selezionate dalla Giuria per essere pubblicate nel 1° volume 2009 dell’ANTOLOGIA DEL PREMIO “PAROLE E POESIA”. Il volume, edito dalla Casa Editrice IL FIORINO di Modena, verrà stampato in mille copie,  distribuito in alcune librerie d’Italia, nelle Biblioteche Estense di Modena, Nazionale di Firenze, Roma, Catanzaro, Formigine, Maranello e pubblicizzato su alcuni siti internet.
Un cordiale saluto.
il Presidente del Premio
Antonio Maglio

Quero antes de tudo parabenizá-lo pelo belo poema NASCONDIGLIO. Quanto mais o leio, mais me transmite belas emoções. Te comunico que as tuas poesias foram selecionadas pelo júri para serem publicadas no 1º volume 2009 da Antologia do Prêmio “PAROLE E POESIA”. O volume, editado pela Casa Editora IL FIORINO de Módena, será publicado em mil cópias, distribuído em algumas bibliotecas da Itália, nas Bibliotecas Estensas de Módena, na Nacional de Florença, de Roma, de Catanzaro, de Maranello e publicizado em alguns sites da internet.
Cordiais saudações.
Presidente do Prêmio
Antonio Maglio

Che Pasqua incancellabile!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

1º lugar na Itália!!


Melhor Sexta-Feira Santa impossível: fui comunicado hoje pela Presidente da Terceira Cincunscrição da cidade de Lecce, no sul da Itália, que recebi a primeira colocação no Prêmio Primaverart, promovido pelo Assessorato alla Cultura, Università del Salento e pela Associazione culturale "Accademia Salentina Delle Lettere", na categoria Literatura, nestes termos:

Gent.mo Sig. Sexugi,

Ho il grande piacere di informarLa che la Commissione giudicatrice della Sezione Poesia ha conferito alla Sua Poesia "Tazzina" il Premio della Critica per la Letteratura.Comprendendo bene che non Le sarà semplice venire a ritirare il Premiopersonalmente in occasione del Gran Galà del 19 aprile, La invito a venirea ritirare il Premio quando Le sarà possibile offrendo a Lei, o ad un Suo delegato, la ns. ospitalità attraverso il ns. partner "Gruppo Vestas Hotel". Resta inteso che se non Le sarà comunque possibile recarsi in Italia per visitare la ns. terra e ritirare il Premio, sarà ns. cura farglielo recapitare secondo quanto vorrà disporre. A nome mio personale e di tutta la Città di Lecce Le formulo le più vive congratulazioni per questo e tutti gli altri successi che certamente avrà già avuto e avrà in futuro! 

Il Presidente della Terza Circoscrizione
Mariangela De Carlo

Prezado Sr Sexugi,

Tenho o grande prazer de informar-lhe que a Comissão Julgadora da Seção Poesia conferiu ao seu poema “Tazzina” o Prêmio da Crítica para a Literatura. Compreendendo bem que não lhe será simples vir retirar o prêmio pessoalmente por ocasião da Cerimônia de Gala de abril, convido-lhe a vir retirá-lo quando lhe for possível oferecendo ao senhor, ou a seu representante, a nossa hospitalidade por meio do nosso colaborador “Grupo Vestas Hotel”. Fica acordado que, se ainda assim não lhe for possível vir à Itália para visitar as nossas terras e retirar o prêmio, nós o entregaremos segundo quanto quiser dispor. Em meu nome e de toda a cidade de Lecce, formulo-lhe as mais vivas congratulações por este e todos os outros sucessos que certamente já teve e terá no futuro!

Presidente da Terceira Cincurscrição
Mariangela De Carlo



Além dos poetas, o Prêmio Primaverart contemplou outros artistas contemporâneos da Itália nas artes plásticas (pintura e escultura), no cinema e na música.

Esta é uma daquelas vitórias inesquecíveis. Afinal, vencer um concurso literário num país onde se respira arte desde o berço é algo que merece permanecer na memória. O júri, composto por Lucio Giannone, Vito Antonio Conte, Luca Pensa, Teresa Romano, Davide Stasi, foi quem decidiu o resultado, que estará em breve disponível no site http://www.concorsiletterari.it/risultati.  

Se a poesia quer levar meu barquinho a mares tão longínquos, pois que seja. 

 Cameriere, un bicchier di vino. Devo festeggiare!


domingo, 5 de abril de 2009

Fui premiado no Lácio!


Na manhã deste sábado, recebi uma agradável surpresa: fui um dos poetas selecionados para integrar a Antologia Comemorativa dos 40 anos do Prêmio Literário Julia de Gonzaga – musa dos poetas da Renascença italiana –. Trata-se duma antologia bilíngüe (italiano/espanhol) promovida pelo Castello di Fondi (da região do Lácio, província de Latina na Itália).

Os poetas foram escolhidos pelo conjunto da obra (10 poesias), e terão três poemas inseridos no livro. Além da publicação, cada poeta selecionado receberá uma medalha de prata e outros prêmios oferecidos por entidades públicas e privadas. Estou ansioso pela publicação.


Ser premiado por composições em outro idioma – no meu caso, em italiano – me deixa satisfeito e muito emocionado, sobretudo pela simbologia que o Lácio tem em relação ao latim, ao italiano e à própria língua portuguesa. Como professor dessas línguas, fico particularmente honrado. Eu me sinto um cara de sorte: dividir um mesmo livro com o grande poeta italiano Luigi Muccitelli e com outros nomes da poesia contemporânea é surreal.
Agradeço a todos os que acompanham meu trabalho!

Boa Páscoa!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Risatina



sexta-feira, 20 de março de 2009

Embalagem


— Farra com dinheiro público no Senado Federal! — Sem que o apresentador do jornal concluísse a notícia que mostrava mais um escândalo em Brasília, dessa vez por conta do excesso de diretores, desliguei a TV e fui para o quarto. Mas não pense que eu estivesse ficado revoltado com a reportagem: é que corrupção política já virou assunto tão corriqueiro e recorrente, que uma matéria sobre o jardim da Casa Branca chamaria mais minha atenção. Foi por mera falta de interesse mesmo, até porque já tinha ouvido sobre isso havia pouco, pela CBN, voltando do trabalho.

Fui me deitar. O sono não veio. De Internet não estava a fim.  Decidi, então, fazer uma limpa no armário, quando encontrei, guardado num livro didático, uma embalagem de Sonho de Valsa, que me reportou a um dezembro passado:

Eu já tinha retirado os cartazes das paredes. Deixei apenas o mapa do Brasil no fundo, já desbotado, a pedido da professora que usaria a sala no próximo ano. A sala já estava seminua. Era a última semana que eu passava com minha turma, uma quarta série. Foi uma semana meio nostálgica, afinal, eu já estava com aquela classe desde o ano anterior, e em período integral. Já tinha me afeiçoado com cada aluno, mesmo os mais indisciplinados, e conhecia um pouco de cada um deles: qualidades, manhas, carências. Alguns, com histórias de vida muito tristes, como a de uma menina cuja mãe cometera suicídio, ou a de um garoto que presenciava agressões físicas do pai contra a mãe, ou ainda a de um outro que precisou ser entregue aos cuidados de um orfanato, mesmo não sendo órfão. Situações que fizeram com que eu perdesse rápido a inexperiência como docente de Ensino Fundamental.

A sala era mais ou menos assim: lembro que na fila da direita, perto da porta, sentavam-se três meninas crentes, dessas igrejas que não permitem que as mulheres usem calças nem cortem o cabelo. Eram excelentes alunas, caprichosas, mas que não participavam de atividades culturais, porque seus pais estavam convencidos de que cantar ou dançar fosse coisa do Diabo. Atrás delas, sentava-se um piá negrinho que, de anjo, só tinha o nome. Contava piadas como ninguém: um sarrista nato, que me fez gargalhar várias vezes durante a aula. E, ao lado dele, ficava um guri preguiçoso que escondia o lápis pra ter a desculpa do porquê  não fazia as tarefas. A sua fila era composta só por primos, unidos em tudo: só brincavam e brigavam entre si. Ficava na terceira fileira um piá de olhos grandes que punha o fervo na turma. E lá no final da sala, na última fileira, perto da janela, estava a Ritinha, uma menina calada, magricela, despenteada, voz baixa. Sua mãe é doméstica e o pai, que trabalhava no corte de cana, tinha falecido havia pouco tempo. Toda semana ela vinha me contar alguma coisa, mas em sentenças curtas, pontuais.

Enquanto eu corrigia o caderno de um aluno na minha mesa, vi que a Rita aguardava de pé sua vez de falar comigo, segurando dois bombons. Após o último visto, perguntei o que queria. Antes de falar, mordendo os beiços com cara de contentamento, depositou um bombom sobre meu livro de chamada, bem devagarinho. Sua mão, encardidinha, com esmalte pink descascado, mais parecia estar colocando uma pepita de ouro, tal era a solenidade que demonstrava (o chocolate valia mesmo ouro). Por fim, me disse:

— Psor, a mãe vendeu um berço velho que tinha lá em casa e até fez compra ontem. Daí ela deu um real pra mim e pra minha irmã. Ela guardou o dinheiro. E eu comprei dois bombom. Esse aí é pro senhor.

O chocolate daquela menina pobre era um agradecimento. E, enquanto ela voltava correndo para o seu lugar, alternando suas perninhas finas – dois palitos – eu me segurei pra não chorar.

Obrigado, Ritinha! Seu bombom teve muito valor. Para mim, ele eles compensam as notícias diárias de corrupção e violência. Ele me diz que o Brasil vai ser melhor daqui uns tempos.


quinta-feira, 19 de março de 2009

O bom poeta não lê poesias


O texto a seguir tirei-o um de e-mail que que recebi do poeta peabiruense Arleto, a quem agradeço de coração pela generosidade.

Fala, Fabio!

Parabéns pelas conquistas. Daqui a pouco o Pulitzer.

Orgulha-me ver o nome de nossa pequena cidade como uma lépida intrusa nestes ares longínquos. Em breve, quando distante desta terra vermelha, o fim daquela eterna pergunta:

― De onde?

― Peabiru!

― Como?

― “P-e-a-b-i-r-u!”

(Sim, bairrista, sempre).

Por  Mário Quintana, “o bom poeta não lê poesias, lê anúncios de jornais”. É o que vejo em tua obra: a vida, o tropeção na calçada, o portão batendo no batente, o leiteiro buzinando, a fé indo e voltando, enfim, a existência dos dias sucessivos.

Mas chega dessa epistemologia de boteco, antes que seu PC tome isto como uma mensagem virótica e acabe me deletando.

Parabéns. E que sua bússola sempre aponte para o sucesso.

Arléto

quarta-feira, 18 de março de 2009

É hora de dar uma espiadinha!


O Big Brother cresceu. O Grande Irmão, personagem fictício do romance "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" ("Nineteen Eighty-Four"), concebido pelo britânico Eric Arthur Blair em 1948 e gerado pelo público brasileiro desde 2002, conseguiu entranhar-se no nosso imaginário, onde ganhou forma e morada, adaptando-se perfeitamente à nossa realidade tupiniquim, inculturando-se por aqui no tempo e no espaço. O cenário, portanto, não é mais a Oceania, e 1984 ficou para trás. Nestes tempos de New Age, não são mais as câmeras quem nos fiscalizam (embora elas estejam por aí, como redutores de velocidade ou inibidores de furto em estabelecimentos comerciais); na Era de Aquário, as sardinhas se aprisionam, por vontade, em aquários-casas de vidro e, lá de dentro, tentam agitar as águas ao redor, confirmando, assim, a ideia de Jean-Paul Sartre (cantada pelos Titãs) de que "o inferno são os outros". Ou seja, graças ao foco que se dá a qualquer indivíduo, graças aos holofotes projetando luzes ofuscantes sobre sua vida particular e mera, escancarada às espiadinhas do mundo, arreganhada aos olhares dos outros, "do inferno", à pauta incansável de programas (fúteis?) de fofoca, é que se cria uma novela superatrativa, mais interessante que Pantanal ou Caminho das Índias, escrita e encenada simultaneamente, com capítulos que duram o dia inteirinho!

E esse confinamento zoológico-humano dirigido nos reality shows mete-se de mansinho nos nossos relacionamentos sociais. É por causa dessa clausura assistida que acabamos tendo a impressão de que somos continuamente espiados, mesmo quando não exista alma viva por perto. Só que essa sensação não nos é incômoda: as câmeras imaginárias nos dão a possibilidade de nos tornarmos, qualquer um de nós, astros famosos, celebridades importantes.

Lembra-se de Gandhi, ou de Che Guevara, de Martin Luther King, de Madre Teresa ou ainda outros tantos que inspiraram as multidões? Pois bem, eles tinham características firmes, marcantes, e de tal modo definidas que os fazia únicos, arrebatadores: mais que de desejo, pontos de referência. Até bem pouco tempo atrás, sabíamos que o Milton era o Milton Nascimento, um cantor excepcional, compositor único e que, por isso, devia ser devidamente prestigiado, valorizado. Agora o tom é outro: a revolução da informação e da tecnologia fez com que aquelas personalidades, semideuses, fossem derrubadas à baixeza da simplicidade de pessoas anonimamente comuns, retirando daqueles o privilégio da intocabilidade e dando a estes a chance do estrelato, de serem alvos da idolatria. Vem daí a explosão de livros biográficos: hoje é possível saber detalhes íntimos tanto da vida de Bruna Surfistinha, quanto de Edir Macedo (numa das biografias mais lidas no país no ano passado!); daí também a popularidade dos blogs (espaço virtual onde muitos de seus autores fazem questão de divulgar desde o que comeram no almoço, aos motivos do término do namoro na última balada).

Elis que me desculpe, mas nossos ídolos já não são os mesmos: agora os deuses são mortais, e os mortais sobem à honra dos altares. Tornam-se ídolos, já não mais pelo que fazem, mas pelo jeito como se comportam: de 12 brothers, elege-se apenas aquele cujo estereótipo mais agrada ao grande público. O que eles fazem não vale nada. O que importa é como eles vivem na "nave-mãe": sua maneira de comer, falar, beber, beijar, tomar banho, dançar, brigar e peidar.

Enquanto isso, nós também nos confinamos. Continuamos sendo espiados por uma câmera interna, assistida por um expectador imaginário, externo. De vez em quando, tememos que ele nos mande para o paredão, ou que, na pior das hipóteses, nos elimine.

Não é estranho? Porque, no fundo, o Big Brother é um Big Self. E, caso assinasse o pay-per-view, Sartre atualizaria sua afirmação: "o inferno somos nós mesmos". Não sei se o Milton Nascimento assiste ao BBB, mas deve estar cantando com entusiasmado "Eu, Caçador de Mim".

Milton Nascimento - Caçador de Mim


sábado, 7 de março de 2009

O leiteiro


Revirando a esmo papéis amarelados [não sei porque faço isso de vez em quando], encontrei, ainda incompleto, um conto que comecei a escrever no ano 2000. Nem me lembrava mais dele. Decidi re-escrevê-lo [com hífen mesmo, já que, agora, separa-se o prefixo do segundo termo quando vogais iguais se encontram].

A trama é minha. Mas o cenário, escuro e empolgante, roubei de um poema fantástico do Drummond. Assim, enquanto a prosa não fica definitivamente pronta, posto o tal poema, que é o meu preferido.

A morte do leiteiro

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.



segunda-feira, 2 de março de 2009

Mais um!


Fiquei com a 3ª colocação no 27º Concurso Internacional Literário das Edições A.G., cujo resultado foi divulgado na tarde de ontem. Nas primeiras colocações, estão poetisas portuguesas. Esta será minha segunda participação em antologias este ano. Tomara que não sejam as únicas!

O poema premiado, Bússola, está nas postagens abaixo.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mosaico


Anoiteceu
Ao claror tíbio dessa lua
escondida, semibreu
teu gelo mudou-me
de mar em gotas
de piso em tacos
de trilha em trechos
de obra em cacos

Teu inverno me pariu penhascos
precipícios cinzentos
ruínas e escórias
que engolem minhas peças
devorando-me as memórias

Tua noite abriu em mim buracos negros
que apagam meu senso traído
fragmentos de saudades
que jamais terei sentido

Fico incompleto

E embora fracionado
reduzido, inacabado
hei de manter o teu afeto
entre os retalhos do meu peito
até que o teu fulgor não cesse
ao meu coração tão imperfeito

Mas amanhece

Manhã moça de verão:
É hora de recolher meus pedaços pelo chão.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Meteorito


Na noite deserta
chora a lua luzente
uma gota discreta:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Uma vela e outro prêmio


Recebi meu segundo prêmio literário. O primeiro foi há quatro meses, oferecido pelo Projeto Poesia Pública, de Belo Horizonte. Agora foi a vez do poema "Parafina", sobre a volubilidade da fé, ser contemplado com a primeira colocação entre as poesias religiosas do IV Concurso Internacional de Poesia Latino-Americana, promivido pelo Projeto "Poemía" de Las Piedras, no Uruguai, que reuniu poetas de várias partes do continente.

Eis o poema e, logo após, a relação dos poetas premiados:


Parafina
De vez em quando
minha fé resmunga
reclamando

Inconstância súbita
me questiona
me põe em dúvida
me indaga

Mas meu pavio
não se apaga
segue aceso
e embora ileso
em chaga

IV Concurso Internacional de Poesía Latinoamericana Projecto Poemía (Las Piedras - Canelones)
RESULTADO


Con el objetivo de impulsar un género tan importante como es la poesía y, al mismo tiempo, dejar constancia de la literatura que se escribe ahora, al margen o bebiendo de tendencias, gustos y estilos de todas las partes de nuestro grandioso continente, hemos convocado el IV Premio Internacional de Poesía Latinoamericana.

Aquí están los vencedores:

Categoría “Amor a la patria”
1º Lugar - “Toda la Patria” - Pedro Antonio de Porres – Santiago de Chile (Chile)
2º Lugar - “Tu voz y tu sonrisa” - Martín Augusto Fuentes – Rosario (Argentina)
3º Lugar - “La piel de la playa” - Angélica María Gándara – Cartagena (Colombia)

Categoría “Espiritualidad”
1º Lugar - “Parafina” - Fabio Alejandro Sexugi – Peabiru (Brasil)
2º Lugar - “Trabajos de Dios” - Teresa Delejos Fuentes – Mérida (México)
3º Lugar - “Encuentros” - Paulo Zapalla – Pachuca (México)

Categoría “Paz”
1º Lugar - “Un bonito rincón de paz” - María de Olivera Morales – Las Piedras (Uruguay)
2º Lugar - “Con los ojos” - Carlos David Cruz – Montevideo (Uruguay)
3º Lugar - “Bandera blanca” - Charlene Durán – Asunción (Paraguay)

Categoría “Lucha”
1º Lugar - “El Che que vira” - Alexander Coruña – La Paz (Bolivia)
2º Lugar - “El Mito del la Sangre” - André Juan Plata – Punta del Este (Uruguay)
3º Lugar - “Fuerza!” - Enrique Pazos - Ciudad de La Plata (Argentina)

Con los poemas ganadores se hará una publicación en libro con el título de "La Nova Poesía de Latinoamérica", que incluirá los premiados y algunos de los textos seleccionados entre todos los participantes, orden alfabético por el nombre del autor. Es motivo de inmensa alegría poder darle las gracias a los vencedores e a todos los participantes.

Dedico esse prêmio aos meus leitores e a todos que não deixam a vela se apagar!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Juventude inquieta



Tenho medo de poucas coisas. Mas, a que mais me incomoda é a ameaça da velhice. Não pela idade em si, já que ainda nem cheguei à casa dos 30, nem pelo alvorecer dos primeiros fios brancos ou das entradas no cabelo, mas pela possibilidade de perder, com "a casca inútil das horas", a minha inquietude interior. Não quero perder aquilo que mais admiro na juventude: a inquietação. E fico incomodado comigo mesmo quando, em flashes no pensamento, me pego conformado com coisas que antes me aborreciam.

A juventude é inquieta. E é somente a inquietação da juventude que nasce aquilo que é belo, que é bom; e nunca dos que deixaram-se embolorar pelo mofo da comodidade, do conformismo. Só os jovens podem mudar o mundo. Mas apenas os jovens que sabem nutrir e direcionar a própria inquietude, que sabem olhar para frente com coragem, que lutam com entusiasmo pelo ideal que mantêm vivo por dentro.

Deus permita que daqui uns tempos eu possa olhar para uma foto minha destes dias e dizer-me, sem peso na consciência, que mantive viva a inquietação: essência da juventude.

Na mocidade, na estação fogosa,
ama-se a vida. A mocidade é crença,
e a alma virgem nesta festa imensa
canta, palpita, se exalta e goza.

[Casimiro de Abreu]

domingo, 28 de dezembro de 2008

Bússola


Vento vagante em meu peito imerso
soprando palavras sem rumo nem rima
num mar de poemas ainda disformes
decerto deserto de versos diversos,

Lúcidos.

Decerto bússola de agulhas incertas
Disturbando o nauta que, embora poeta,
explora inseguro seus versos-dilemas,
prendendo palavras que estavam libertas,
e livrando os sentidos de suas algemas

Ácidas.

Sopra, brisa pungente, minha vela reclusa!
E move esta nave donzela a epopéias bravias
para as águas gestantes de vãs poesias,
para os mares sedentos desta proa intrusa,

Límpidos.

Cruza percursos remotos privados de mapa
e brevemente (que és só fôlego e mocidade)
leva meu poema a mergulhar na saudade,
mas batiza-o somente na palavra que me escapa

Líquida.

Depois traze-o certeiro a esta mesma embarcação,
pois se a rosa-dos-rumos converteu-se na dos ventos,
um sopro que me venha há de mudar-se em alento
e transbordar de poesia o navegante coração

Ínfimo.


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cafezal


Um cheiro vivo cafeeiro pela estrada
Entrando sacro pelo vidro do meu carro
Entrando intruso, meio que tirando sarro
Trazendo à tona aromas doutra temporada

Fragrância alheia aos que habitam as cidades,
Porém perfume a quem do mato se enamora.
Canção da terra incensando a santa aurora,
Louvor-viola arando o peito de saudades...

Reduzo a marcha, estaciono um momento.
Até me vejo bem piá sobre um cavalo,
voando altivo pelo campo tal qual vento.

E ainda escuto a voz materna assim chamá-lo:
— Vorta depressa, pelo Santo Sacramento!
Bendito o cheiro da infância que eu inalo!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Pietà


Matrona dos lazarentos
dos esmagados
Donzela dos remelentos
dos azarados
Guria dos indigentes
dos derrotados
Senhora dos ausentes
dos torturados
Maria dos infames
dos rebelados
Sua graça se derrame
nos enjeitados
Tenha dó dos calejados
e os proteja
Alivie os magoados
Assim seja!



sábado, 1 de novembro de 2008

Côncavo


Tem quem viva mesmo morto
Há porém quem venha lúgubre

Tem quem ande mesmo torto
Há também quem cresça ínfimo

Pois se há quem vença sem conforto
Também tem quem nasça póstumo

E embora encontrem mesmo porto
quase não há quem mude o hábito

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma xícara premiada


Estou feliz. Comecei a escrever há pouco menos de quatro meses e estou colhendo agora os primeiros frutos. O poema "Xícara", simples e breve como um cafezinho, ficou em 1º lugar no Concurso Nacional de Poesia Caleidoscópio 2008, concorrendo com quase 200 outras poesias válidas inscritas.



Resultado completo

1º Lugar - Poesia: Xícara
Fábio Alexandro Sexugi
Peabiru - PR

2º Lugar - Poesia: O Pássaro Azul
João Elias Antunes de Oliveira
Brazlândia - DF

3º Lugar - Poesia: Poeminha Para Quem Tem Medo de Amar
Andréa Cristina Francisco
Mogi das Cruzes - SP

4º Lugar - Poesia: Natureza Morta
Agnaldo Pereira
Ipatinga - MG

5º Lugar - Poesia: Delírio
Tatiana Alves Soares Caldas
Rio de Janeiro - RJ

6º Lugar - Poesia: Belas Artes
Fátima Soares Rodrigues
Belo Horizonte - MG

7º Lugar - Poesia: A Saudade e o Sonho
Henriette Effenberger
Bragança Paulista - SP

8º Lugar - Poesia: Construção
Luiz Otávio Moreira Oliani
Rio de Janeiro - RJ

9º Lugar - Poesia: O Tempo
Augusto Sérgio Bastos
Rio de Janeiro - RJ

10º Lugar - Poesia: Entrelinhas
Carla Soares Corrêa
Porto Alegre - RS

Membros da comissão de avaliação

Profª Ms. Solange Moreira
Professora Universitária e Crítica Literária

Rosangela Dias Motta
Poetisa e Comunicadora Social

Davi Mourão Motta Drummond
Poeta e Diretor do Projeto Poesia Pública


Um cafezinho pra comemorar!

sábado, 25 de outubro de 2008

A Revolta dos Fantoches


Negligência sangüenta
noutro mundo paralelo,
um fio se arrebenta
E me rebelo

Um cenário bonito
espetáculo desonesto.
Mesmo aplaudido,
Protesto

Ainda amarrado, suspenso,
ao menos por dentro me solto
ao menos assim me pertenço
Me revolto

O manipulador manipula dores
em movimento modesto
E sem muitos rumores
Contesto

Mas até quem comanda
volta e meia cai no sono
E o nó então se abranda
E revoluciono

A pena porém de quem se mete
a desmerecer tal "obséquio"
é voltar pó ao baú das marionetes
é voltar só à mesma caixa de presépio

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Insônia


Céu lustroso
sem nuvem alguma
Um grilo ocioso
conta as estrelas
uma por uma

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Cesta Básica


Os donos da circunstância
fazem do povo
Mártir da própria ignorância
[de novo!]

Tempos Birutas


Ontem, enquanto apagava uns malditos spams na minha caixa de entrada, vi que tinha recebido um e-mail do Arleto Rocha – grande poeta peabiruense – falando sobre meu blog. Depois da devida permissão, publico o seu texto, honrado e agradecido. Ei-lo:

Nessas bobeiras que a gente tem de ficar fazendo nada a frente de uma Internet que supostamente nos propicia fazer tudo (que embuste), ao Google na procura do não sei o que:

- “Peabiru”

Vinte e tantas paginas. Fiquei na primeira.

Acrescentar outra palavra, sair da rotina.

Na digitação de dois dedos (Professor Expedito que não veja isso nas aulas de datilografia) um sufixo involuntário:

- “Peabiruta”.

Primeira página. Nada.

Segunda: teu blog.

Muito legal a estética, longe da formalidade dos que vejo por aí. Nota 9,9. (Explico: pois como disse uma professora da faculdade “10 só para Deus”. Enchi a prova dela com citações bíblicas relacionadas com a disciplina agrária de seu magistério. Deu-me 10, às escondidas, chamou-me de anjo e pediu para nunca mais eu fazer isso: ciência e religião, um perigo). Às escondidas, 10 pelo teu blog.

Chamou-me a atenção sua crônica “Anel de Tucum”. Leitura fluente. Eu que dialogo com os cães (os meus e os da rua) e samambaias vi-me dirigindo o neo-realismo da cena. O Cão e o cara sob a noite.

Predestina-me também este teu talento de ouvir estranhos. Outro dia, sentado ao balcão de um boteco da rodoviária de Curitiba, esperando o ônibus as 13, sendo ainda 10, o sujeito me disse:

-Bebendo cerveja nesse frio!

Olhei, o cara sorriu, o outro, junto, em silêncio. Ventríloquo, falava por ele e por todos. Desandou a dizer que a mulher do amigo, esse aí em silêncio, tinha o largado, e agora voltava para uma reconciliação, lá em Faxinal, depois de Ortigueira, antes de Apucarana.

Da primeira até a segunda cerveja, a historia do amigo, na terceira a dele, até pedir minha opinião:

-Será que ela o aceita de volta?

O ônibus era as 11. Foi. Feliz por eu dizer que sim. Pagou-me as três cervejas, mesmo dizendo que a prefeitura de minha cidade arcaria com as Kaisers bebidas.
Pela porta, bolsa nas costas, o falante para o amigo feliz e sempre quieto:

-Num disse que você vai ter ela de volta.

Na cidade da Lapa, em um evento de premiação literária, tarde da noite no vento sulista descobri que não existia hotel aberto àquela hora. Minha bagagem dormindo no guarda volume da rodoviária fechada e eu pelo lado de fora com dez exemplares da antologia publicada. Deitei-me no banco de madeira dos taxistas:

-Vende livro?

Para evitar dizer que eu escrevia (um crime nesses dias de espíritos embrutecidos) disse que sim:

-Sim.

Encolhi os pés, ainda com a cabeça nos livros, feitos travesseiros. Depois me levantei de vez. Outro taxista sentou-se ao lado.

A vida inteira dos dois, uma tia-avó em Nova Cantu e a escalação completa do Coritiba e do Atlético.

-Torce pro Coxa ou pro Atlético?

-Grêmio de Maringá.

-Esses livros que vende é de quê?

-Poesia.

-Leia uma.

Escolhi a minha, e li sem dizer que era minha. Fizeram cara de desaprovação e de quem não entendeu nada. Voltaram a Tia-avó em Nova Cantu e ao futebol curitibano.
Café, pão e os livros.

Conversas estranhas com conhecidos também não é novidade, talvez, como você disse, por essa nossa vocação de ouvidos mais que boca:

-Faço tudo e nada está bem, num dá mais pra continuar assim, o jeito é terminar mesmo...Nunca, nunca mais quero vê-la.

Dois dias depois, juntos.

Mas essa coisa alem do entendimento pode ser fruto dos dias. Culpa nossa, pois pela tecnologia conversamos com gente que nunca conhecemos, pelos orkuts e MSNs da vida, sem falar no celular que virou extensão da mão humana, um órgão do corpo, muito embora crio um espanto a todos quando digo que não tenho e não gosto. Um apêndice sem função para mim.

Teclando o Google, para bisbilhotar todos e ninguém.

Tempos birutas.

Peabiruta.

[Arleto Rocha]

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A Corda Ortográfica


Iniqüidade freqüente blasfema
com tranqüila eloqüência
Agüente, deságüe e trema!

sábado, 13 de setembro de 2008

Da sacada


Quero escrever a palavra mais linda
e deixar pelos muros versos suaves
Quero entrar na casa da poesia
e da janela translúcida, intruso,
olhar o mundo além dos horrores.
Quero ver a vida, ainda intruso,
além da fachada, cinzenta, fechada.
Quero, da mesma janela poética,
coser saberes, gozar sabores,
olhar o mundo além das dores,
e escrevê-lo mais bonito,
embora limitado,
como senhor sem vassalo,
como rei sem castelo,
cavaleiro sem cavalo,
escrevê-lo mais belo,
já que só a beleza haverá de salvá-lo.


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Desculpas


Não crie explicação
simplória
Sua história
tem outra versão

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

11/09/01

Tudo realmente foi explicado?


terça-feira, 9 de setembro de 2008

Peabiru


Torre altiva acenando no horizonte
com sua cruz
como que tirando sarro
Minha cidade sorri atrás do monte
à meia-luz
bem à frente do meu carro

Reduzo a marcha
Contemplo o brilho
Respiro fundo

Um vento cálido ali me espera
Soprando meu peito em brasa
E me dizendo em voz sincera:
— Estás em casa! Estás em casa!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Brasilidade


Meu País de enredo inacabado:
uma prosa de Deus,
um poema do Diabo.



terça-feira, 2 de setembro de 2008

Flâmula




Amanhece
A bandeira sobe
Uma gota desce

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Alvorada em minha Pátria


No vasto solo do meu espírito poeta
Onde eu cultivo tantos sonhos e promessas
Ressoa o eco da canção da minha terra
Feito cantiga aveludada que dos ouvidos se aproxima
Feito poema à singeleza que transcende qualquer rima
Poema insigne que venera uma beleza sempre eterna
Canção amiga cantada em verso, musical língua materna
Ressoa em súplica que sobe em paz na alvorada
E se propaga aqui por dentro construindo uma morada:

Deus te salve, ó minha Pátria, meu quintal amplificado!
Que te acolha vaidoso como o Cristo em Corcovado
Que te benza sorridente aspergindo-te Iguaçu
Que percorra os teus caminhos, entre os quais, Peabiru
Deus te beije, jardim jovem, o horizonte majestoso,
E sopre um hálito de vida na bandeira que sustentas
E outro hálito de paz em quem hasteia-te orgulhoso
Que teu eco esteja sempre aos meus ouvidos qual canção
E esperança seja o sonho que se encontre em minha mão
Pois o som do teu hino pelas ruas do desterro
Estremece até a alma neste peito brasileiro

domingo, 31 de agosto de 2008

Visitantes recentes


O que querem insistentes
e que buscam [me perscrute]
os "visitantes recentes"
que vasculham meu Orkut?

E por que tal descaso
em me deixar só pegadas?
Se me visitam por nada,
o fazem só por acaso?

Quem serão esses vultos
que me deixam inquieto?
Serão amigos secretos
ou inimigos ocultos?

sábado, 30 de agosto de 2008

Jovita Xavier Padilha


Tia Jovita
mulher gigantesca
versão gauchesca
de Maria Bonita

Jovita Padilha
de olhar farroupilha
de bota e bombacha
fingindo ser macha
chapéu e chicote
sem luxo ou fricote

Tia Jovita
pioneira tão brava
feita em Guarapuava
onde a saudade palpita

Jovita Xavier
esculpida mulher
em madeira de pinho
pelo seu Sertãozinho
modelada senhora
no inverno de outrora
pelo findo presente
que faz tão-somente
que a vida da gente
vire foto amassada
em outra temporada
[que disparate!]

Saboriemos o mate,
enquanto está quente
antes que o poente
nossa cor arrebate

Aproveitemos o mate,
que no fim, veja só,
tudo volta a ser pó.



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Miopia




Serão dez ou serão onze
os seus óculos de bronze?
Por favor ou por astúcia,
não reponham tal minúcia
na estátua que verseja.
Não permitam que ela veja
que a maldade que profana
ultrapassou Copacabana.


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Antagonista


Amplitude e exigüidade
Começo e extremidade
Injustiça e eqüidade
Egoísmo e caridade
Brisa e tempestade
Soberba e humildade
Repulsa e saudade
Opostos de verdade?

Frieza e emoção
Conserva e supressão
Parcimônia e profusão
Meiguice e sequidão
Prazer e aflição
Descuido e precaução
Demora e lentidão
Fazem mesmo oposição?

Tristeza e alegria
Marasmo e energia
Franqueza e hipocrisia
Sossego e euforia
Realidade e fantasia
Gentileza e grosseria
Barateza e carestia
Representam ironia?

Palavras que equilibro
E não faço acepção:
São antônimas no livro,
Mas iguais no coração.



Crise


Já reparei que quando fico mal-humorado não me vem poema nenhum. Nenhunzinho. Não vem rima nem nada.

Ou será que é a poesia que faz birra de vez em quando? Talvez seja isso. O fato é que hoje vou dormir sem verso.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Cerejas


Hoje de manhã, indo para o trabalho, furei o pneu do carro em plena avenida Raposo Tavares [aliás, gostaria de saber quem foi o idiota que, numa cidade cujo nome homenageia a cultura indígena, inventou de chamar sua principal avenida justamente pelo sobrenome do mais perverso exterminador dos índios do Peabiru].

Existe coisa mais chata que trocar pneu e ainda mais quando se está atrasado? Chato mesmo é saber que pneu furou porque o trecho da avenida onde eu estava é tal e qual o caráter do atroz bandeirante paulista: completamente esburacado; adjetivo que eu atribuo também à vontade política daqueles que governam a minha terra e para quem eu pago meus impostos. Vontade esburacada, que nem "tauba-de-tiro-ao-álvaro". Só isso explica o fato de que se priorize a construção de estátuas tão sorridentes quanto supérfluas nas pracinhas e deixe-se de se investir naquilo que realmente importa no momento.

Não que essas coisas não devam ser feitas nem valorizadas. Absolutamente! Sou educador. Sou artista, oras! Mas, monumentos são apenas a cereja do bolo. E, para ornar o bolo com a cereja, é necessário primeiramente que haja o bolo. O bolo da saúde, da educação, do trabalho e do saneamento, com recheio sabor sensatez, utilidade e prioridade. Primeiro o bolo, depois as cerejas.

Cerejas enchem os olhos, não a barriga. Não a minha.

Padre Jerônimo não é o único que não entende "essas coisas brasileiras"...


domingo, 24 de agosto de 2008

13


Guerra troiana há 13 séculos de Cristo,
amor de Páris por Helena jamais visto
que se repete ao século XIII, temporada
de amor anônimo em pleno viço das Cruzadas.
Eram treze à távola d'último jantar
São trezes rosas à Rainha do Mar
Treze é primo, é seqüência Fibonacci,
Mistério ágata de treze vívidos quilates.
A 13 de maio na Cova da Iria,
Uns piás enxergaram a Virgem Maria.
Noutro 13 doutro maio, por ventura,
se pretendeu amenizar a escravatura.
Treze romances de Nadine Gordimer
Treze epístolas de São Paulo em turnê
"Até quando, ó Senhor, te esquecerás?"
Pergunta o Salmo [que é 13, aliás]
Treze virgens no paraíso de Allah
esperam o bravo que morrer sem reclamar.
Treze ramais cortando o velho Peabiru
Treze pátrias pela América do Sul
Die Dreizehnlinden apelidada Treze Tílias,
de onze estátuas e outras duas maravilhas.
Treze profetas escritores tem a Bíblia
Treze zepelins dispararam contra a Líbia
Aos 13 anos se descobre a adolescência,
e com mais 13 é que se paira a sapiência.
E até a bola, mesmo que se aburguese,
também depende um tal Clube dos 13.
"Treze Homens e um Segredo" no cimena
"Jim Knopf e os 13 Piratas" sem problema
Verei depois da 13ª pétala da idade,
se o bem-me-quer que diz a flor será verdade.
Só saberei se a flor não for tão insensata,
quando vier o novo mundo da 13ª surata,
vencendo assim a fera estranha como eclipse
que fala o capítulo 13 de Apocalipse.

Poema para a Poetisa


Flor do ipê do pé de Assaí posto
Epopéia nos idos raios de agosto
Ipê mesmo, mão de Deus, dedicatória
caindo angélico nos versos da história

Aproveitar a poesia pra proveta
Chapar de chá até rachar as borboletas
Salgar as rosas que estejam dessalgadas
E adoçar as solitárias calcinadas
E, com lirismo [embora seja um certo fardo],
fazer sorrir o mais revolto Leonardo

A chuva última haverá de ser primeira
que da Medusa apaga o fogo em cabeleira
e molha fértil e de forma tão precisa
a inspiração brotando à mão da poetisa
em Curitiba, pelos parques, pelas ruas
em Peabiru, de pó rubi, de estrelas cruas
para regar, banhar de luz a poesia
eternizar o que compor Bárbara Lia

sábado, 23 de agosto de 2008

Poema do Amor Imperativo


Toca-me!
Um toque sutil que for, um encontro de asas de beija-flor
Um sussurro leve ao ouvido, calafrio abributo atrevido
Um beijo-despertar dum sonho que instiga a sonhar.

Venha!
Neblina amiga das noites de sábado,
é teu beijo banhando meus lábios.
Como brisa que arranca dos montes a aurora,
tal e qual levas meu tudo embora.

Acorda-me!
Que já és a minha manhã, filha da noite, da madrugada irmã
És sonho, és desejo de abraço e de beijo
Que espero como engano sincero

Sinta-me!
Num misto de sentimento, meu coração ciumento.
Viver tua essência e o que eu não vejo: eis meu desejo
Mas os desejos de vez em quando tormam o fogo mais brando
E a brandura nos faz
cúmplices do jamais

Suba!
Sobre as asas da aventura
Onde os sonhos se tornam realidade
Onde não poderemos voar de verdade

Veja!
Confio a minha alma ao teu olhar sábio
A fim de que haja outro eu, um outro Fábio

Coragem!
Presenteia-me o sonho do mundo onde resides
E acompanha-me pela mão nos meus átimos tristes
Entre universos tão distantes
Entre dois mundos tão vizinhos
Aí está meu coração

Toma-o!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Latim


Quem vai a Roma
Não vaia Roma
[Nem seu idioma]



Paranaguá


O vento é um poeta que vagueia
pela praia, vagabundo, em ziguezague
Escreve os seus versos sobre a areia
Pede às ondas invejosas que os apague

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Amar, Verbo Transitivo


Nasço amores
Chego amassos
Moro abraços
Chovo flores


Amanheço idades
Anoiteço brigas
Sorrio cantigas
Choro saudades


Converso festas
Fracasso juras
Morro loucuras
Viajo promessas


"Amo". E sem objeto [direto / indireto]?
"Amo". E sem complemento? Que tom mais cinzento!
"Amo". Sem-eira-nem-beira? Que besteira!
"Amo". E só? Tenha dó!


Que me perdoe Mário de Andrade
e Carlos Drummond me permita,
mas, se o amor não transita,
não é amor de verdade:
É parasita!


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sopro


Admiro a vaidade do vento
escondida, fingindo ser paz
Ela veste de flor o cimento
e penteia saudosa os trigais
Ela sopra um doce tormento
nas marolas que beijam o cais
Ela esconde no seu movimento
armadilha aos mais sábios mortais

domingo, 17 de agosto de 2008

Peabiruta


Eu peregrino
dia por dia,
longa romaria

Eu peregrino
no pó, no espinho
durante o caminho

Eu peregrino
aspirando outros ares
da terra-sem-males

Eu peregrino

piso a terra laranja
que meu pé desarranja

Eu peregrino
e se às vezes me exalto
não prefiro o asfalto

Eu peregrino
em rastros inteiros
de outros romeiros

Eu peregrino
Faço irmão o destino
e irmãs as estrelas
e mesmo sem vê-las
Peregrino



Foto da Peregrinação pelo Caminho do Peabiru, promovida pelo NECAPECAM [Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na Região de Campo Mourão-PR], no trecho entre Engenheiro Beltrão, Terra Boa, Peabiru e Araruna. Setenta quilômetros a pé e a pó.

sábado, 16 de agosto de 2008

Eclipse


Somos, a contragosto
uma antítese, de fato
E digo no teu rosto:
— Teu certo é errado!


Meu exato é incerto
sou humano
Mas, às vezes, acerto
por engano


Nós somos do contra
Minha vida é distante
E a tua, uma elipse
Mas, quem sabe um instante
A gente se encontra
E... eclipse!


Carneiro ao Vinho


Terceiro domingo de agosto
Festa típica no Sul
Culinária que tem gosto
do meu chão, Peabiru

Gosto rude do Pinheiro
imponente lá na praça
da Bica do Saltinho

da Maria-Fumaça
indiscreta no Trevinho

Da Mata do Eurico
ninho dos colibris
da trilha do índio
da majestosa Matriz

Tem gosto de procissão
pelas noites de Quaresma
Sabor bom de São João
da fogueira grande em festa
Tem jeito de pioneiro
em 14 de Dezembro
tem um gosto brasileiro
e do resto que não lembro

Carne de ovelha
já temperada
Tomate e cebola
bem fatiada
Alho e salsinha
[pra dar um cheiro]
Se quiser, cebolinha
[ou outro tempero]
Batata picada
em cubos grosseiros
Óleo de oliva
[toque especial]
pimenta-do-reino
colheres de sal
Bem misturado
com muito carinho
E tudo regado
a dois litros vinho

Tampada a panela
é tacar fogo nela
depois de uma hora e pouca
e muita água na boca
e é só comê-lo então
com arroz e com pirão

Carneiro ao molho de vinho
Igual iguaria não há
Sabor delicado, aroma divino
Melhor gororoba do Paraná


quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Estiagem


O sol volta radiante
Leva a chuva lacrimosa
Deixa tudo como antes

Chuva


Nuvem densa no céu
A água que invade
são gotas de saudade

Ausência


Internet, celular, saudade
Ônibus, rua, passos
Mãos, beijos, abraços
Refri, olhar, vontade


Harmonia de covardia e bravura
Percorre meu teimoso pensamento
Que pronto me diz por alento:
Nossa história não foi só aventura


Em cada giro lento do ponteiro te penso
E desejo ter-te no aconchego do meu braço
Ouvir no teu seio o pulsar em descompasso
Sentir-te o cheiro qual aroma do incenso


Papel, lápis, movimento
Computador, delete
Café, música, tapete
Ausência, sentimento


Espera, espera, espera...

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Felicidade


Sinto-te perto
candura
decerto

Sinto-te dentro
nua e crua
alento

Sinto-te quente
fervura
crescente

Sinto-te fria
de repente
ousadia

Sinto-te poema
eloqüente
[com trema!]

Sinto-te peregrina
urgente
adrenalina


Tempestade gaúcha


Gotas errantes
imitam vanera
Caem dançantes
sem eira nem beira


Um vento criança
recorda sanfona
Fissura de dança
me vem logo à tona




terça-feira, 12 de agosto de 2008

Rua dos Bobos, № 0


Morreu uma professora que educou gerações de brasileiros. Fez o melhor que pôde a vida toda, apesar da remuneração miserável que recebia. Morreu e pouca gente ficou sabendo. Quase ninguém, nem mesmo aqueles que agora podem ler estas linhas só porque ela, pacientemente, os ensinou a ler.

Mas, assim como ela, todos os dias, muita gente boa vai embora desapercebida: o bombeiro que morreu queimado cujo salário mal dava pra pagar as despesas de casa; o jovem que fazia trabalhos voluntários na periferia; a freira que deixou o conforto da pátria materna e foi assassinada por defender a causa dos pobres; os torturados desaparecidos durante a ditadura militar... Gente de todos os tipos, de idades diversas, com sotaques e ideologias diferentes, que, quando vivos, não receberam nada além de portas na cara, risadinhas e comentários irônicos, indiferença, descrédito e ingratidão, muita ingratidão... quem sabe até ganharam meia-dúzia de elogios [clichês] fingidos e forçados, falas prontas repetidas trocentas vezes em cenas de novelas. E, depois de mortos, homenagens. Vãs. Vazias. Artificiais, com jeito de plástico made in China. E é sobre isso exatamente que tenho pensado nesses dias.

Celebram-se cultos e missas solenes com gente importante [com anúncios na Tribuna! Uia!] para tentar ressarcir o fulano que em vida foi ignorado por completo. E vejam só: mesmo assim, ele ganhará bustos na praça, onde o tempo, os pombos e os pichadores se encarregarão de manchar, pintando, dessa forma, o mais autêntico retrato do que receberam dos bão-da-boca em vida. Os donos do jogo darão o nome do indivíduo a ruas, avenidas, ginásios de esporte, escolas, asilos, blocos universitários, centros culturais, museus, estádios e o caramba. Inaugurarão viadutos e lhes emprestarão seu nome. Criarão leis e outra vez o nome do desprezado estará lá, bem no título, bem bonitinho. E pronto! Linda homenagem! Está tudo devidamente indenizado, como manda o figurino. É como se num passe de mágica [ou de macumba], toda a falta de reconhecimento, todo o desrespeito que tais idealistas receberam durante a vida e levaram magoados consigo para o túmulo fossem apagados. Como se essa babação-de-ovo póstuma tivesse o poder de jogar pra debaixo do tapete – já grosso de pó velho – as frustrações impostas. Sim-salabim!

Só se esquecem, porém, que rituais e homenagens póstumas não apagam traições. Estátuas não compensam torturas. Letreiros luminosos em prédios edificados com grana pública não ofuscam isolamentos cruéis. Jardins no centro não limpam cusparadas. Isso não basta.

Não basta dar o nome de uma professora a uma escola pública. É pouco demais! É necessário brigar para que a escola pública seja promovida de verdade e os educadores, valorizados. Eis a homenagem verdadeira!

Construir um belo obelisco a pacifistas regionais não basta. É mísero! Insensatez! Para homenageá-los, seria preciso construir a paz e a justiça pela qual lutaram, e não monumentos apenas.

Não basta pregar uma placa para um militante idealista numa salinha. Isso é nada! Importa tirar do túmulo seus ideais, levar suas idéias adiante.

Que é dar a um conjunto habitacional o nome de um político honesto? [Sim, eles existem.] Nada! O que vale mesmo é vestir a camisa da honestidade e bater o pé quando esta faltar.

Não basta beatificar um mártir. É muito pouco. É preciso imitar-lhe a coragem, a perseverança e ajudar outros corajosos e perseverantes em suas lutas, para que não precisem conhecer o batismo de sangue.

Os bão-da-boca sabem disso, minha gente. Ah, se sabem! Confiam devotamente, de olhos fechados, na passividade, na imbecilidade das massas; porque sua consciência, sua criticidade, eles soterraram no concreto do obelisco.

Os bão-da-boca, à luz de flash e sob o aplauso alienado de uma platéia simples e comovida, inauguram monumentos póstumos e enterram o "homenageado" de vez. Ele e as idéias pelas quais lutava, pelas quais deu a própria vida.

Pro diabo com seus bustos! Fodam-se suas homenagens fingidas! Que mané nome de museu! Que mané Tribuna! Enfiem no cu seus obeliscos, hipócritas do caralho!

Plaquinhas de bronze? Estátuas? Nomes de avenida? Tudo isso vale muito pouco, meu caro.

Muito pouco mesmo.

E até a cruz, cujo simbolismo amo e defendo, é muito pouca coisa. Quero menos cruzes e mais Cirineus.



Tributo aos amigos


Meu coraçao peabiruta
Gratidão fertiliza
E obrigado tributa

Aos meus caros amigos
Que de forma precisa
Me abrandam perigos

E dividem comigo:
Piadas
Brinquedos
Problemas
Torpedos
Cachaça
Segredos
Suas preces
Seus medos

Aos amigos de berço
Aos amigos de acaso
Aos amigos de terço
Aos amigos de passo

Aos amigos à vista
Aos amigos a prazo
Aos amigos de trampo
Aos amigos de aço

Aos amigos grandes
Aos amigos pequenos
Aos amigos sinceros
E aos mais ou menos

E a quem do meu lado
Peregrina essa estrada
Um abraço apertado!
Uma Skol bem gelada!


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Rivestita di Sole


Madonnina, mi dia
Le prego
un tempo ancora
per sentire l'allegria
spiego
che in me si affiora


Lei, Mamma Maria
che dal alto collabora
da sempre fino ad ora
Mi regali pazzia
per diventarmi aurora


Ma se Le sembr' affronto
Le chie'dunque per corolle
che mi faccia almeno sole
e mi divento un bel tramonto


E pronto!



domingo, 10 de agosto de 2008

Chuva dominical


Nos domingos mais tristonhos
turbulentos de quietude
É a densidade dos meus sonhos
que me devolve a juventude.

Pai


De você, amo o silêncio
e não as palavras
Prefiro as não ditas, as caladas
omissas


De você, amo a prudência
dizer ponderado, vizinha distância
concisa


De você, amo o terço
e os joelhos constantes, dobrados
devotos


De você, amo os calos
nas mãos operárias, pedreiras
dignas


Amo-lhe ainda a instrução imperfeita
as letras trêmulas, vacilantes
breves


De você, amo o que os outros não amam
e tudo que não sei expressar além
do empecilho.
A rudeza que estes versos reclamam
dizem apenas que quero-lhe bem.
Teu filho.

Torre de Babel


Habitamos uma só tribo,
que circunda este planeta.
A fumaça dant'escribo
é que publica igual gazeta.


Construímos um edifício
em plena mata selvagem
e fazemos da linguagem
arco que dispara míssil


Nossa língua não se entende
nem entre os conterrâneos.
Pois o que há nos nossos crânios
já não é mais transparente.


E por mais que nós falemos
de modo igual este idioma,
nos fechamos em redoma
bem maior do que já temos.


Sino apaixonado


No esplendor da matriz
santuário divino
a cantiga do sino
a cidade bendiz


Sino, feito viola,
lá no alto da igreja,
em canção sertaneja,
minha terra namora.

Canta, bronze amigo,
tua paixão comovente,
que o peito da gente
te dá paga e abrigo.

Canta teu suave libido
pois um dia quem sabe
antes que a missa se acabe
sejas correspondido.