segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Educação de Peabiru é destaque no G1

Alunos comem filé de tilápia, costela e 9 tipos de salada em escolas no PR

Merenda inovadora é servida em escolas municipais de Peabiru, no norte. Ideia é seguir tradições culinárias da região, além de melhorar a nutrição.

Erick Gimenes do G1

'Muitos pais dizem que a comida da escola é melhor que eles têm em casa', diz secretário. (Foto: Prefeitura de Peabiru/Divulgação)


Os alunos da rede municipal de ensino de Peabiru, no norte do Paraná, têm prato muitas vezes raro em mesas brasileiras: o cardápio do recreio inclui filé de tilápia à milanesa, galinhada, "vaca atolada" (prato típica da culinária caipira, com costela bovina e mandioca como principais ingredientes), arroz carreteiro e nove variações de saladas.


Além da merenda, os estudantes ainda ganham, todo dia, uma fruta diferente de sobremesa. A mudança na composição do prato foi feita no começo do ano letivo de 2014, segundo o secretário de Educação do município, Fábio Sexugi, para contemplar as necessidades nutritivas das crianças e adolescentes e, principalmente, para respeitar as tradições culinárias da região.

"Readaptamos a forma de preparo dos alimentos, para estimularmos uma alimentação saudável e com as tradições que temos por aqui. Crianças que, no ano passado, não comiam no colégio, agora esperam por essas refeições. Quando fizemos uma galinhada, por exemplo, nos preocupamos por ser um prato pouco aceito entre as crianças. Depois que servimos, a realidade foi outra: tivemos que fazer bem mais do que o previsto", lembra o secretário.

A merendeira Angelita Bonfim conta que o novo cardápio tem boa aceitação dos alunos. "É uma novidade muito boa na escola. Quando preparamos almôndegas ao molho, um prato que é inédito na merenda, as crianças adoraram".

De acordo com Sexugi, a intenção é que a próxima iguaria servida aos alunos seja a carne de carneiro, típica do norte paranaense. "Muitos pais nos dizem que a comida na escola é muito melhor do que a que eles têm em casa. Queremos criar um bom hábito alimentar nessas crianças, para que se desenvolvam melhor".

Atualmente, 1,4 mil alunos estudam nas nove escolas da rede municipal de Peabiru, conforme números da Secretaria de Educação. O orçamento anual para a compra merendas é de R$ 478 mil, conforme a Prefeitura.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Entrevista

O poeta conterrâneo Arleto, responsável pelo blog da Associação Peabiruense para o Desenvolvimento das Artes [APDARTES], fez uma entrevista comigo, transcrita na seqüência. Ao Arleto e ao pessoal da associação, meu agradecimento!
ENTREVISTA COM O ARTISTA

S E T E
PERGUNTAS PARA

FÁBIO SEXUGI


Fábio Sexugi (Campo Mourão / PR, 1980). Educador e professor de latim e italiano, nasceu poeta, mas só se deu conta disso em 2008, quando começou a publicar seus rabiscos. Paranaense de nascença e coração, o neopoeta é peabiruta, ou seja, peregrino do famoso Caminho do Peabiru, uma trilha indígena milenar que cortava o Paraná, ligando o Chaco Paraguaio ao litoral brasileiro. Fábio tenta encontrar na poesia aquilo que os índios buscavam percorrendo essa estrada sagrada: a Terra-Sem-Males, uma espécie de paraíso. Às vezes consegue achá-la (como quando venceu o IV Concurso Internacional de Poesia Latino-Americana na categoria "Espiritualidade") e fica contente. Quando não consegue, pára, ri de si mesmo, reflete um pouco, toma uma xícara de café (bem forte) e tenta de novo. No primeiro certame literário que participou, Sexugi obteve o 1º lugar, com o poema concreto "Xícara" no I Concurso Nacional de Poesia Caleidoscópio de Belo Horizonte. Amante da língua dantesca, foi selecionado para integrar a Antologia Comemorativa Ítalo-Espanhola dos 40 Anos do Prêmio Júlia de Gonzaga, do Castello di Fondi, no Lácio, bem como a Antologia Parole e Poesia das Edições Il Fiorino, da cidade de Módena. Em abril de 2009, conseguiu um feito inédito para poetas paranaenses: arrebatou o 1º lugar no Prêmio Primaverart, em Lecce, no Sul da Itália, onde também foi contemplado com o prêmio da crítica para a literatura.

1. João Cabral de Melo Neto disse que poesia é mais transpiração que inspiração. Escrever para você é um ato de prazer ou de dor?
FÁBIO: Escrever é um parto: um processo que costuma ser complicado pra caramba e que requer do poeta as duas coisas, que se complementam. Digo isso porque já tentei escrever sem inspiração, contando apenas com a técnica. Não deu certo, porque, por mais esforço que se faça, é como parir um filho que não existe. É trabalho estéril. Não consigo escrever sem uma gestação literária, que pode durar um minuto, meia hora, sei lá, um mês. E também nesta gravidez há muito de transpiração, pois é nesta fase que o poema vai ganhando forma. Por outro lado, para que a inspiração lírica se concretize na musicalidade da palavra, na materialidade do papel, é preciso suor, sem o qual não se pode falar em fazer literário. A inspiração está por toda a parte. Prendê-la à letra é que são elas. Por isso, não acredito muito nessa idéia de composição poética passiva, como um ato de psicografia. O nascimento do poema é dolorido. Dolorido, mas agradável e instigante, porque nele, o poeta é filho, mãe, parteiro e o próprio parto ao mesmo tempo. Coisa de doido. De doido doído.

"Posto que sou asas
Sobrevôo-me
Eutmosfera"

2. Em algum momento você já pensou em parar de escrever, mandar as favas a força que te move a rabiscar os versos e calar-te?
FÁBIO: Eu sempre paro de escrever. Paro e escrevo de novo e paro mais uma vez. É que rabiscar é como o próprio coração que bate, mas, antes que bata novamente, há um momento de silêncio. Bate e pára e bate de novo. No ano passado, por exemplo, escrevi bastante. Em 2010, para poder me aventurar um pouco pelo universo do conto (que me exige mais tempo) tive que dar um tempinho nos versos. Mas, o que eu gosto mesmo de fazer é poesia. Às vezes, a pausa – necessária – acontece por falta de inspiração. Outras, como agora, por mera falta de tempo mesmo. É o sistema capitalista sufocando o poeta.

"Minha casa tem gosto de Carneiro ao Vinho,
Sabor sagrado, segredo sangrado no sul.
É terra rubra que pinta o pé pelo caminho,
é sossego, saudade e sol. É Peabiru."

3. Dostoiévski disse que ele acreditava em Deus, mas Deus não acreditava nele. Diante de sua poesia Parafina (premiada no Uruguai), onde se tece um breve tratado sobre a fé, a literatura universal pode fortalecer ou apagar a chama da fé?
FÁBIO: Para ser honesto, não sei se a literatura aumenta ou diminui a fé. Mas, uma coisa é certa: as letras certamente são capazes de nos tornar mais próximos daquilo que é sublime, transcendente, criativo: distintivos de Deus que se escondem em cada pessoa e que a literatura pode revelar. Acho natural que as coisas nas quais acredito, volta e meia, apareçam nos meus versos. Como católico e latino-americano, compus alguns poemas para a Virgem Maria, de quem venho aprendendo a ser devoto. Allah também aparece na minha poesia quando o sangue libanês fala mais alto. No poema Parafina, quis tratar de uma característica da humanidade que, desde que o mundo é mundo, se confronta entre a crença e a incerteza. É que eu encaro a dúvida, mais que um antônimo de fé, como um instrumento positivo que aproxima o homem e a mulher da verdade, da ânsia de querer saber mais, de conhecer além, de entrar em contato, de explorar aquilo que não é totalmente explorado. Há uma tendência histórica em mistificar a fé. Para mim, que tento me equilibrar sobre ela, existem muito mais mistério e poesia na dúvida que propriamente na fé. Duvida?

"Céu lustroso
sem nuvem alguma
Um grilo ocioso
conta as estrelas
uma por uma"

4. Dylan Thomas, Virginia Woolf, Hemingway, Silvia Plaft sucumbiram a sua tragédia interior: partiram cedo pelo álcool ou deram fim a vida. Diante deste quadro, o escritor é um super-heroi dotado de visão raio-x, de poderes diferenciados ou é um simples homem-comum-covarde?
FÁBIO: Quem escreve tem, por natureza, uma sensibilidade mais acurada que as outras pessoas. Para o escritor, um amor é sempre intenso e uma dor é dor aguda, ainda que às vezes, como definiu bem o Pessoa, seja só fingimento. Mas o fato é que essa exposição mais violenta aos sentimentos – ou mesmo, à ausência deles, ao tédio – faz com que alguns se submetam ao extremo, tirando veneno dos próprios versos. Também o leitor está sujeito a isso, infelizmente. Assim, quem doma a palavra tem nas mãos uma responsabilidade terrível. Não vejo lirismo nas sombras e acho que não vale a pena compor poemas demasiadamente melancólicos, tristes. É a vida o que conta! Por isso, tento escrever poemas mais solares, alegres, que sintetizem o encanto que existe nas coisas simples, corriqueiras. Acho linda a história de uma moça depressiva que desistiu do suicídio depois de ler "Prece" da Helena Kolody, minha poetisa favorita. E isso é muito poético. Assim, quando a letra muda positivamente a vida de alguém, então, o autor pode se considerar um sujeito privilegiado, um herói.

"Quero escrever a palavra mais linda
e deixar pelos muros versos suaves
Quero entrar na casa da poesia
e da janela translúcida, intruso,
olhar o mundo além dos horrores."

5. O escritor russo Isaac Bábel disse que “nenhum metal pode perfurar o coração com tanta força quanto um ponto final”. Neste sentido, como escritor, que poderes você atribui a palavra escrita?
FÁBIO: O primeiro poder da palavra escrita é o de comprometer o escritor, porque, ao escrever suas idéias, é a si mesmo que ele aprisiona ao papel. Talvez seja por isso que poucas pessoas escrevam, já que quem se atreve a redigir duas linhas num bilhete de geladeira ou mesmo um livro inteiro arrisca-se, prende-se e fica sujeito à livre interpretação e avaliação do leitor. Sócrates nunca escreveu. Buda também não. Jesus não deixou uma única página escrita. Terá sido porque a escrita seja mesmo uma algema? Seja como for, escrever, como já me disseram acertadamente, é para os loucos que, como eu, teimam em registrar sua percepção do mundo. É loucura porque a palavra escrita é perigosa. E isso é, aliás, o que mais me atrai nela. É perigosa porque, por mais cuidado que se tenha, o autor nunca sabe bem que destino terá sua cria ao ser captada e avaliada pelas pessoas. Outro poder importante da escritura, principalmente na era digital, é a de corrigir estruturas sociais freqüentemente injustas e incomodar, se necessário, até mesmo os tiranos poderosos. A extraordinária força evocativa da palavra escrita dá ao autor essencialmente a possibilidade de ser sentido no espaço e no tempo e de penetrar o imaginário do leitor. Eu gosto desse poder.

"Sopra, brisa pungente, minha vela reclusa!
E move esta nave donzela a epopéias bravias
para as águas gestantes de vãs poesias,
para os mares sedentos desta proa intrusa"

6. Ler e escrever nos permite viajar sem sair do lugar. O que você sentiu ao transgredir essa regra, pois literalmente a literatura permitiu que você viajasse saindo do lugar (Itália mostra)?
FÁBIO: Foi uma experiência inesquecível ter sido premiado na Itália no ano passado. Se já é bom ser contemplado na própria pátria, imagine ser reconhecido num país estrangeiro por composições num idioma que não é sua lingua materna. Os dois prêmios (melhor produção artística do certame e prêmio da crítica pela literatura) que recebi em Lecce (conhecida como "Città d’Arte" e fundada há mais de 2000 anos) tiveram para mim um peso maior, não só porque eu aprecie a língua dantesca, mas principalmente pelo fato de que concorri com escritores italianos consagrados de várias regiões do país. Com isso, me tornei o único poeta brasileiro a vencer concursos literários na Itália, que é berço da civilização ocidental e valoriza como ninguém as expressões artísticas. Fiquei uma semana em Lecce (bem no salto da bota): dei entrevistas a TVs e jornais locais, bati um papo com acadêmicos da Università del Salento, fui recebido pelo prefeito e pelo presidente da província, conversei com artistas italianos supertalentosos, conheci o Mar Adriático, visitei lugares antiqüíssimos – o palácio onde aconteceu a cerimônia de premiação é da época do descobrimento do Brasil! – e, claro, comi muito bem. Além destes dois prêmios, também recebi outros em Portugal e no Uruguai. Confesso, porém, que as premiações na Itália têm para mim um gosto de superação: é que logo na primeira aula de italiano em 1996, meu professor disse que eu talvez não aprenderia tão bem o idioma quanto os demais alunos por não ser descendente. Ele estava errado.

"Ma se Le sembr'affronto
Le chie’dunque per corolle
che mi faccia almeno sole
e divento un bel tramonto"

7. Afinal, Capitu traiu Bentinho?
FÁBIO: Traiu. Aqueles "olhos de ressaca" nunca me enganaram.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Canção para Maria

Numa tarde do ano passado, o músico italiano Diego Salvetti e eu compomos uma canção para que fosse utilizada no tradicional Auto da Via Sacra, na cena em que o apóstolo João consola a Virgem Maria da morte do filho.

A música foi gravada no começo de 2010 pela Banda Luz do Céu, de Curitiba.

Ouçam e comentem!

"Mãe da Dor e da Utopia"

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Xícara na sala

Um agradecimento especial à Prof. Eunice Radtke que levou minha xícara (lembram dela?) para a sala de aula. Ela me mostrou a reprodução do poema que um de seus alunos da 4ª série fez e decidi postá-la aqui.


A poesia foi usada durante um projeto que, entre outras coisas, abordou os poetas paranaenses. À Profª Eunice e a seus alunos, um abraço e um cafezinho!


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Poema do Anu-Preto


Não nasci para ser burro
de carga, de presépio

Não esperem o meu sussurro
quando um grito é obséquio

Não me esperem ir no vácuo
mesmo se não há saída

Nem tampouco pedir bênção
a quem vende a própria vida

Não me digam o que eu devo,
o que eu não devo, o que não posso

Muito menos se intrometam,
no que eu creio, no que eu faço

Não queiram, já aviso,
Ensinar padre a rezar missa:

Eu sei bem por onde piso,
nesta areia movediça

Não me alio a puxa-sacos
de opressores, da elite

Não tolero um só palpite
de quem quer o meu “amém”

É que anu que come pedra
Sabe bem o cu que tem.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Caminheiros


Na correria cotidiana, dividido entre vários locais de trabalho em cidades diferentes, estou sempre na estrada. Aliás, nunca trabalhei tanto. Carros, motos, paisagem e relógio disputam minha atenção ao volante. Porém, nada atrai tanto para si meu espírito quanto as pessoas que caminham na beira da pista, solitárias, sem pressa, indiferentes ao tráfego e ao tempo, pensadoras...

Admiro os caminhantes: são eles os verdadeiros filósofos. São eles que, impassíveis, mesmo sob um sol de rachar e ao barulho do trânsito contíguo, mantêm firme e contínua a marcha poética dos pés e da mente. Em que pensam exatamente, não sei.

Conhecer a reflexão destes que perambulam pelos acostamentos talvez seja uma necessidade natural nestes tempos abarrotados de pensadores “eruditos” (aqueles que inventam conceitos novos e os difundem internet adentro para definir tudo aquilo que já tinha sido devidamente conceituado; que consideram demodè ponderar sobre existencialismo, marxismo, teologia e tudo quanto não seja pós-estruturalismo; que elaboram uma linguagem técnico-filosófica própria e fazem com que os demais se submetam a ela; que se esquecem, porém, que seja-lhes necessário morrer cedo: é que os eruditos verdadeiros já descansam em paz há muito tempo). Já estou farto destes “teóricos” repetitivos, iguais, estáticos.

Pra saber do que falo, bastaria lembrar que Sócrates filosofava e ensinava caminhando; Sidarta (que nasceu enquanto a mãe peregrinava) vagabundou um tempão pela Índia; Jesus fez o mesmo na Palestina e não parou nem no sábado. Por isso, insisto: a verdadeira filosofia se faz caminhando, porque quem caminha pensa.

Quem sabe, não estejam por aí outros grandes caminhantes. Gostaria de saber, pelo menos uma vez, o pensamento de tais filósofos silenciosos. Talvez seja a hora de eu começar a caminhar também...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dois anos


Hoje o Blog El Peabiruta completa dois anos. O primeiro post foi justamente sobre o porquê do título: sua relação com o misterioso e milenar Caminho do Peabiru e a busca utópica pela Terra-Sem-Males, passo a passo, verso a verso, numa trilha que, embora antiga, precisa ser desbravada a cada movimento.

E o movimento – quase sempre tímido – da escrita é, para mim, uma exigência; é uma necessidade impertinente de arrancar dos caminhos sombrios da mente pensamentos teimosos para, em seguida, reorganizá-los, palavra por palavra, num percurso novo, escrito. Isso, porém, não é tarefa fácil, sobretudo quando as idéias não se submetem à linearidade rija da escrita e, caso peguem um vento forte, como esses de inverno aqui em Peabiru, são capazes de levar-me consigo à deriva, a bordo de uma canoa guiada por um eu mesmo desconhecido. Quando, todavia, consigo aprisionar as idéias às folhas em branco – de papel ou virtuais – ainda assim me parece melhor cultivar a ilusão de que sou eu a controlá-las, e não o inverso.

Sigo escrevendo e inventando caminhos. Será que um dia eu chego à Terra-Sem-Males?

domingo, 27 de junho de 2010

O tempo não pára!


Fiquei ausente do blog por alguns meses, ora por falta de tempo, ora por falta de saco mesmo. Mas, não parei de escrever, não. Rabisquei alguns poemas e até me arrisquei nos caminhos conturbados do conto, o que me tomou um tempaço.

Nesse período de aparente silêncio, assinei contrato com duas editoras: a Opet de Curitiba e a Saraiva, de Sampa. Ambas publicarão alguns poemas meus em seus livros didáticos, o que me deixou – confesso – muito envaidecido. [Drummond que se cuide! Hehehe...]

Espero arrumar tempo pra postar alguma coisa que valha a pena, e não meros aforismos [excetuando-se, evidentemente os haikais: esses sempre valem a pena!]. Porém, isso só será possível – acho – nas férias de julho. É que até lá estou me massacrando em uma meia dúzia de locais de trabalho diferentes, sempre no ingrato e sedutor ofício do magistério.

Difficile sorbere et simul flare est.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Guaranis

Gosto muito da Pastoral da Juventude e do sonho que ela cultiva no coração de muitos jovens. Gosto de ver os jovens motivando outros jovens a encarar a vida com ânimo e com sonhos. Os jovens, de todos os tempos, precisam de sonhos. Os de hoje, precisam mais.

Estou seguro de que parte da minha formação humana se deu num grupo da PJ, com seus debates, celebrações, festas... Por isso sou grato a essa pastoral por quem não escondo um profundo carinho.

Assim, pra começar as postagens deste ano, escolhi um canto da PJ que sempre me emociona.


GUARANIS

Ah! Quero ouvir as serenatas,
ver crescer as nossas matas e tocar meu violão
Ah! Meu amigo, vem cantar,
pois o dia vai raiar e morar nesta canção
Ah! Que saudades do poeta,
do artista e do profeta que o tempo eternizou.
Ah! Como eu falei de flores,
liberdade, beija-flores, que meu coração sonhou.

Ah! Ver crianças pelas praças,
paz e pipa, pão de graça como o cheiro de hortelã.
Ah! Água pura ali na fonte
e a gente a olhar os montes, sem ter medo do amanhã.
Ah! O meu lindo continente
que fez do sangue a semente, para ver o sol nascer.
Ah! Nossas matas tão bonitas
verdes mares, canto a vida, quando o dia amanhecer.

Ah! Quanta luta na fronteira
tanta dor na cordilheira, que o condor não voou.
Ah! Dança e Terra Guaranis
de uma raça tão feliz que o homem dizimou.
Ah! Vou nos passos de um menino
no meu coração latino a esperança tem lugar.
Ah! Quando bate a saudade
abre as asas liberdade, que não para de cantar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Poética

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira
(1886-1968)

domingo, 20 de setembro de 2009

Agradecimento


A realidade de Peabiru não é das melhores. Todavia, a situação já foi bem pior antes da chegada dos padres italianos da Sagrada Família de Bérgamo. Com um trabalho sério, dinâmico e comprometido, eles mantêm há duas décadas trabalhos sociais relevantes, como a Escola São José – onde tenho o privilégio de trabalhar – que oferece uma educação de qualidade a mais 350 crianças em período integral; a Casa Lar do Menor Carlinhos, que acolhe menores em situação de risco social; e o projeto Criança São José, por meio do qual os religiosos assistem a centenas de famílias carentes do município.

No vídeo a seguir, produzido em 1997, fica evidente as razões pelas quais Peabiru deve agradecer, e muito, aos padres italianos.



À Congregação da Sagrada Família, meu agradecimento pessoal e sincero.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Professor da Fecilcam receberá prêmio

O professor Fábio Sexugi, da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) vai receber o Troféu Fábio de Carvalho Noronha, uma premiação que é oferecida há 17 anos às melhores crônicas do Concurso Nacional de Poesia, Conto e Crônica da Academia de Letras de São João da Boa Vista - SP.

Com o texto “É hora de dar uma espiadinha!”, sobre reality shows, obteve o primeiro lugar. A cerimônia de premiação acontecerá no auditório da UNIFAE.

O interessante é que São João da Boa vista é vizinha de Limeira, onde, no começo do mês, Sexugi, ficou em segundo lugar no no XII Prêmio Cidadão de Poesia.

Além destes dois prêmios, recebeu outros sete no Brasil, em Portugal, no Uruguai e na Itália.

São eles:
Primeiro lugar no I Concurso Nacional de Poesia Caleidoscópio, promovido pelo Projeto Poesia Pública de Belo Horizonte, em outubro de 2008;

Primeiro lugar no IV Concurso Internacional de Poesía Latinoamericana, categoria espiritualidade, em fevereiro de 2009;

Terceiro lugar no XXIII Concurso Literário Internacional das Edições AG, março de 2009;

Primeiro lugar na categoria poesia e melhor composição literária no III Prêmio Primaverart de Lecce (Itália), em abril de 2009;

Primeiro lugar no Prêmio Letras da Primavera de Anadia (Portugal), em abril de 2009;

Menção Honrosa no X Prêmio de Poesia "Eduardo", de Trentola Ducenta (Itália) em maio de 2009;

Menção Honrosa no IX Concurso de Poesias CNEC/FACECAP de Capivari - SP, em junho de 2009.

domingo, 9 de agosto de 2009

"Rumo Certo" é isso.

Publicado em 20 de fevereiro de 2014, pelo site de notícias da Globo, o G1.

Alunos comem filé de tilápia, costela e 9 tipos de salada em escolas no PR

Merenda inovadora é servida em escolas municipais de Peabiru, no norte. Ideia é seguir tradições culinárias da região, além de melhorar a nutrição.

Erick Gimenes do G1

'Muitos pais dizem que a comida da escola é melhor que eles têm em casa', diz secretário. (Foto: Prefeitura de Peabiru/Divulgação)


Os alunos da rede municipal de ensino de Peabiru, no norte do Paraná, têm prato muitas vezes raro em mesas brasileiras: o cardápio do recreio inclui filé de tilápia à milanesa, galinhada, "vaca atolada" (prato típica da culinária caipira, com costela bovina e mandioca como principais ingredientes), arroz carreteiro e nove variações de saladas.


Além da merenda, os estudantes ainda ganham, todo dia, uma fruta diferente de sobremesa. A mudança na composição do prato foi feita no começo do ano letivo de 2014, segundo o secretário de Educação do município, Fábio Sexugi, para contemplar as necessidades nutritivas das crianças e adolescentes e, principalmente, para respeitar as tradições culinárias da região.

"Readaptamos a forma de preparo dos alimentos, para estimularmos uma alimentação saudável e com as tradições que temos por aqui. Crianças que, no ano passado, não comiam no colégio, agora esperam por essas refeições. Quando fizemos uma galinhada, por exemplo, nos preocupamos por ser um prato pouco aceito entre as crianças. Depois que servimos, a realidade foi outra: tivemos que fazer bem mais do que o previsto", lembra o secretário.

A merendeira Angelita Bonfim conta que o novo cardápio tem boa aceitação dos alunos. "É uma novidade muito boa na escola. Quando preparamos almôndegas ao molho, um prato que é inédito na merenda, as crianças adoraram".

De acordo com Sexugi, a intenção é que a próxima iguaria servida aos alunos seja a carne de carneiro, típica do norte paranaense. "Muitos pais nos dizem que a comida na escola é muito melhor do que a que eles têm em casa. Queremos criar um bom hábito alimentar nessas crianças, para que se desenvolvam melhor".

Atualmente, 1,4 mil alunos estudam nas nove escolas da rede municipal de Peabiru, conforme números da Secretaria de Educação. O orçamento anual para a compra merendas é de R$ 478 mil, conforme a Prefeitura.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

XII Prêmio Cidadão de Poesia


Saiu o resultado do XII Prêmio Cidadão de Poesia, um certame literário que tem por objetivo revelar os novos talentos da lírica em língua portuguesa. Acabei ficando com a 2ª colocação: algo que realmente me deixa satisfeito.

Segue o resultado completo:

Premiados
Primeiro Lugar: Flávia Perez (Campinas/SP)
Segundo Lugar: Fábio Alexandro Sexugi (Peabiru /PR)
Terceiro Lugar: José Carlos da Silva (Mauá/SP)

Menções Honrosas
Alessandra Pires Bertazzo (Curitiba-PR)
Ângelo Pessoa Martins (Cordeiro/RJ)
Carlos Alberto Barros (São Paulo/SP)
Carmen M. da Silva Fernandez Pilotto (Piracicaba/SP)
Fabrício de Queiroz Venâncio (Salvador/BA)
Mariana Ohlweiler (Ivoti/RS)
Sérgio Bernardo (Nova Friburgo-RJ)

A cerimônia de premiação acontecerá no Clube dos Comerciários (entidade que promove o concurso), no no Jardim Limeirânea, em Limeira/SP, no próximo dia 25. A iniciativa do poeta Otacílio Cesar Monteiro, organizador do prêmio, deve ser reconhecida e imitada.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Letras da Primavera


Recebi hoje de manhã, pelo correio, um ofício emitido pelo Prof. Litério Augusto Marques, que é Prefeito (presidente da câmara) de Anadia, cidade portuguesa fundada na época do descobrimento do Brasil, me felicitando pela vitória no concurso literário "Letras da Primavera".

A cerimônia de premiação aconteceu no dia 09 de maio, Dia Mundial da Poesia, na Biblioteca da cidade. Na ocasião, foram lidos o meu poema (vencedor na categoria "Público em geral") e minha mensagem de agradecimento.

No meu discurso, enviado por e-mail aos organizadores do certame, dediquei o prêmio ao poeta anadiense Manuel Alves, um repentista analfabeto, morto no começo do século passado. Sua poesia foi compilada por Tomás da Fonseca. Em Anadia, em homenagem ao poeta, foram dedicados uma rua e um monumento. É dele o poema que segue:

Morri, já não sou poeta,
de escrever cansou a mão!
Os versos que tenho feito
por eles sinto paixão.

Se a poesia tem acções
Que ofendem tanta pessoa,
Porque é que a nobre Lisboa
Festeja o grande Camões?
Mesmo as divinas canções
Vêm do céu por linha recta...
Mas visto que a mão secreta
Constantemente ameaça,
Chegou a minha desgraça:
MORRI, JA NÃO SOU POETA!

Meus versos estão cansados,
Visto que para eles morri...
Estes que eu canto hoje aqui
Fui pedi-los emprestados.
Os meus foram protestados
Por uma infame mão,
Que jurou tentar acção,
Fazer guerra à poesia...
Mesmo quem m'os escrevia
DE ESCREVER CANSOU A MÃO!

Os pastores da Galileia,
Junto à lapa de Belém,
Cantaram versos também
Ao Cristo, rei da Judeia...
Mas hoje a moderna ideia
Ao verso chama defeito!
Consta que um certo sujeito
Mandou já pôr editais
Para eu não cantar mais
OS VERSOS QUE TENHO FEITO!

O grande João de Deus,
Esse poeta moderno,
Por versos mostrou o inferno,
Por versos falou dos céus!...
Porque é que aos versos meus
Se proíbe a execução,
Quando muitas vezes vão
Cingir a honra entre a palma!?
Ai, versos da minha alma,
POR ELES SINTO PAIXÃO!








Obrigado, Anadia!
Obrigado, Portugal!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Germinando


A edição de № 29 da Revista Germina, uma das mais conceituadas publicações sobre arte e literatura do Brasil, dedica um espaço do suplemento literário para a publicação de versos meus em português e italianos.

Além de mim, também estão os escritores: Bruno Prado, Camilo Lara, Carlos Perktold, Casé Lontra Marques, César Cardoso, Demétrio Panarotto, Eder Fogaça, Eduardo Baszczyn, Emerson Pereti, Felipe Stefani, Fernando Koproski, Jairo Faria Mendes, Juracy Ribeiro, Jurema Barreto de Souza, Leonardo Marona, Maíra Matthes, Marcelo Rocha, Mima Carfer, Nilze Costa e Silva, Ordisi Raluz, Roberto Denser, Sarah Forte, Saulo Marzochi, Tião Martins e Valquíria Rabelo.

Um beijo à Silvana Guimarães, coeditora e designer da revista, que enxergou algo de comestível nos meus rabiscos.

Cliquem na imagem acima, ou acessem o link www.germinaliteratura.com.br/2009/fabio_sexugi.htm e comentem, por favor!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ciao, bella Italia!


O blog completou um ano quando voltei da Itália, trazendo na mala o troféu da crítica para a Literatura do Prêmio Primaverart de Lecce, no extremo sul da Itália, conhecida legitimamente como a Cidade das Artes.


O prêmio, conforme já publicado anteriormente, é uma iniciativa conjunta da administração pública leccese e da Universidade de Salento, que pretende estimular e valorizar novos talentos no cinema (curtas, vídeo-clips e spots), na música (piano, violino e canto), na literatura (poesia em italiano, em dialeto e conto) e nas artes plásticas (pintura e escultura), promovendo mostras itinerantes nos lugares mais sugestivos da antiquíssima cidade (colonizada pelos gregos na época da Guerra de Troia!). Neste concurso recebi dois prêmios: fui o vencedor da categoria “poesia em italiano”, além de ser agraciado com o premio da crítica para a literatura, pela melhor composição de todas as demais subcategorias literárias do certame.

A cerimônia de premiação aconteceu no majestoso palácio do governo e foi presidida pela presidente da 3ª Circunscrição, Mariangela De Carlo, contando com a presença de autoridades locais e regionais, da imprensa e de convidados. Recebi o troféu das mãos do prefeito da cidade, que disse ser importantíssimo receber um prêmio literário dessa magnitude, e mais ainda quando não se é falante nativo da língua, como é o meu caso.

Transcrevo, na sequência, o meu discurso, proferido originalmente em italiano:

“Enquanto saúdo os presentes, desejo expressar minha enorme alegria por estar aqui emLecce, recebendo a premiação desse importantíssimo concurso artístico, o Prêmio Primaverart, que reuniu, como os senhores sabem, obras de diversos artistas, não somente italianos.

Para mim, que sou brasileiro de origem e de coração, mas também amante da língua dantesca, este prêmio tem um significado muito especial: conforme os senhores mesmos aludiram enfaticamente, sou o primeiro poeta estrangeiro a vencer um concurso literário na Itália com líricas em italiano. Para mim, além disso, é quase inacreditável que minha poesia, que canta geralmente as coisas simples da vida cotidiana, seja reconhecida aqui na Itália, em Lecce, Cidade da Arte.

Permaneci aqui esta semana e pude ver, em cada giro no imponente e belíssimo centro histórico, que o amor pela arte é sem dúvidas uma das principais características dessa cultura há milhares de anos. Portanto, ser premiado nesta terra de cultura milenar causa-me uma sensação inexplicável.

Não posso, portanto, deixar de agradecer a Deus, a minha família, aos colegas, amigos, alunos e leitores. Um agradecimento de coração à Srª Mariangela De Carlo, presidente da 3ª Circunscrição de Lecce, pelo apoio e pela atenção durante minha estada na Puglia.

Assim diz Camilo Castelo Branco, grande nome da literatura portuguesa: ‘A poesia não tem presente: ou é esperança, ou é saudade’. Assim, espero verdadeiramente que a poesia estimulada pelos senhores possa recordar sempre ao povo leccese o seu glorioso passado, com nostalgia, com ‘saudade’, e o leve a escrever, em belos versos, o próprio futuro.

Muito obrigado a Lecce, terra que levarei comigo dentro do coração com muitas saudades.”

Após a cerimônia, segui para a Universidade de Salento, para uma conversa com os alunos de Letras sobre Literatura Brasiliera e sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Certamente, foi um dos momentos mais importantes e emocionantes da minha vida. Espero que essas premiações motivem a tantos outros, peabirutas ou não, para que também sintam essa ânsia de escrever, de produzir.

Rabiscar, para mim, é uma necessidade, quase física.

Eu vou continuar escrevendo. Conituem lendo meus rabiscos, por favor!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um prêmio português, ora pois!


Meu 7º prêmio literário vem da terra de Camões. O poema Balada do Poeta Biruta arrebatou a primeira colocação no Prémio Letras da Primavera, promovido pelo Município de Anadia, na região central de Portugal. As obras inscritas ficaram expostas na biblioteca municipal da cidade, de 23 de março a 24 de abril, e submetidas à votação pelos visitantes.



O resultado foi divulgado no último sábado, dia 2 de maio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ainda da série "Meus Versos na Europa"


Nem bem me recuperei do susto de receber dois prêmios importantes na Itália, numa mesma semana, fiquei sabendo agora que também fui selecionado para integrar a Antologia "Parole e Poesia" da Casa Editora Il Fiorino, da cidade de Módena (região da Emília-Romanha).

Voglio innanzitutto congratularmi per la bella poesia NASCONDIGLIO. Più la leggo e più mi trasmette emozioni belle. Ti comunico che le tue poesie sono state selezionate dalla Giuria per essere pubblicate nel 1° volume 2009 dell’ANTOLOGIA DEL PREMIO “PAROLE E POESIA”. Il volume, edito dalla Casa Editrice IL FIORINO di Modena, verrà stampato in mille copie,  distribuito in alcune librerie d’Italia, nelle Biblioteche Estense di Modena, Nazionale di Firenze, Roma, Catanzaro, Formigine, Maranello e pubblicizzato su alcuni siti internet.
Un cordiale saluto.
il Presidente del Premio
Antonio Maglio

Quero antes de tudo parabenizá-lo pelo belo poema NASCONDIGLIO. Quanto mais o leio, mais me transmite belas emoções. Te comunico que as tuas poesias foram selecionadas pelo júri para serem publicadas no 1º volume 2009 da Antologia do Prêmio “PAROLE E POESIA”. O volume, editado pela Casa Editora IL FIORINO de Módena, será publicado em mil cópias, distribuído em algumas bibliotecas da Itália, nas Bibliotecas Estensas de Módena, na Nacional de Florença, de Roma, de Catanzaro, de Maranello e publicizado em alguns sites da internet.
Cordiais saudações.
Presidente do Prêmio
Antonio Maglio

Che Pasqua incancellabile!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

1º lugar na Itália!!


Melhor Sexta-Feira Santa impossível: fui comunicado hoje pela Presidente da Terceira Cincunscrição da cidade de Lecce, no sul da Itália, que recebi a primeira colocação no Prêmio Primaverart, promovido pelo Assessorato alla Cultura, Università del Salento e pela Associazione culturale "Accademia Salentina Delle Lettere", na categoria Literatura, nestes termos:

Gent.mo Sig. Sexugi,

Ho il grande piacere di informarLa che la Commissione giudicatrice della Sezione Poesia ha conferito alla Sua Poesia "Tazzina" il Premio della Critica per la Letteratura.Comprendendo bene che non Le sarà semplice venire a ritirare il Premiopersonalmente in occasione del Gran Galà del 19 aprile, La invito a venirea ritirare il Premio quando Le sarà possibile offrendo a Lei, o ad un Suo delegato, la ns. ospitalità attraverso il ns. partner "Gruppo Vestas Hotel". Resta inteso che se non Le sarà comunque possibile recarsi in Italia per visitare la ns. terra e ritirare il Premio, sarà ns. cura farglielo recapitare secondo quanto vorrà disporre. A nome mio personale e di tutta la Città di Lecce Le formulo le più vive congratulazioni per questo e tutti gli altri successi che certamente avrà già avuto e avrà in futuro! 

Il Presidente della Terza Circoscrizione
Mariangela De Carlo

Prezado Sr Sexugi,

Tenho o grande prazer de informar-lhe que a Comissão Julgadora da Seção Poesia conferiu ao seu poema “Tazzina” o Prêmio da Crítica para a Literatura. Compreendendo bem que não lhe será simples vir retirar o prêmio pessoalmente por ocasião da Cerimônia de Gala de abril, convido-lhe a vir retirá-lo quando lhe for possível oferecendo ao senhor, ou a seu representante, a nossa hospitalidade por meio do nosso colaborador “Grupo Vestas Hotel”. Fica acordado que, se ainda assim não lhe for possível vir à Itália para visitar as nossas terras e retirar o prêmio, nós o entregaremos segundo quanto quiser dispor. Em meu nome e de toda a cidade de Lecce, formulo-lhe as mais vivas congratulações por este e todos os outros sucessos que certamente já teve e terá no futuro!

Presidente da Terceira Cincurscrição
Mariangela De Carlo



Além dos poetas, o Prêmio Primaverart contemplou outros artistas contemporâneos da Itália nas artes plásticas (pintura e escultura), no cinema e na música.

Esta é uma daquelas vitórias inesquecíveis. Afinal, vencer um concurso literário num país onde se respira arte desde o berço é algo que merece permanecer na memória. O júri, composto por Lucio Giannone, Vito Antonio Conte, Luca Pensa, Teresa Romano, Davide Stasi, foi quem decidiu o resultado, que estará em breve disponível no site http://www.concorsiletterari.it/risultati.  

Se a poesia quer levar meu barquinho a mares tão longínquos, pois que seja. 

 Cameriere, un bicchier di vino. Devo festeggiare!


domingo, 5 de abril de 2009

Fui premiado no Lácio!


Na manhã deste sábado, recebi uma agradável surpresa: fui um dos poetas selecionados para integrar a Antologia Comemorativa dos 40 anos do Prêmio Literário Julia de Gonzaga – musa dos poetas da Renascença italiana –. Trata-se duma antologia bilíngüe (italiano/espanhol) promovida pelo Castello di Fondi (da região do Lácio, província de Latina na Itália).

Os poetas foram escolhidos pelo conjunto da obra (10 poesias), e terão três poemas inseridos no livro. Além da publicação, cada poeta selecionado receberá uma medalha de prata e outros prêmios oferecidos por entidades públicas e privadas. Estou ansioso pela publicação.


Ser premiado por composições em outro idioma – no meu caso, em italiano – me deixa satisfeito e muito emocionado, sobretudo pela simbologia que o Lácio tem em relação ao latim, ao italiano e à própria língua portuguesa. Como professor dessas línguas, fico particularmente honrado. Eu me sinto um cara de sorte: dividir um mesmo livro com o grande poeta italiano Luigi Muccitelli e com outros nomes da poesia contemporânea é surreal.
Agradeço a todos os que acompanham meu trabalho!

Boa Páscoa!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Embalagem


— Farra com dinheiro público no Senado Federal! — Sem que o apresentador do jornal concluísse a notícia que mostrava mais um escândalo em Brasília, dessa vez por conta do excesso de diretores, desliguei a TV e fui para o quarto. Mas não pense que eu estivesse ficado revoltado com a reportagem: é que corrupção política já virou assunto tão corriqueiro e recorrente, que uma matéria sobre o jardim da Casa Branca chamaria mais minha atenção. Foi por mera falta de interesse mesmo, até porque já tinha ouvido sobre isso havia pouco, pela CBN, voltando do trabalho.

Fui me deitar. O sono não veio. De Internet não estava a fim.  Decidi, então, fazer uma limpa no armário, quando encontrei, guardado num livro didático, uma embalagem de Sonho de Valsa, que me reportou a um dezembro passado:

Eu já tinha retirado os cartazes das paredes. Deixei apenas o mapa do Brasil no fundo, já desbotado, a pedido da professora que usaria a sala no próximo ano. A sala já estava seminua. Era a última semana que eu passava com minha turma, uma quarta série. Foi uma semana meio nostálgica, afinal, eu já estava com aquela classe desde o ano anterior, e em período integral. Já tinha me afeiçoado com cada aluno, mesmo os mais indisciplinados, e conhecia um pouco de cada um deles: qualidades, manhas, carências. Alguns, com histórias de vida muito tristes, como a de uma menina cuja mãe cometera suicídio, ou a de um garoto que presenciava agressões físicas do pai contra a mãe, ou ainda a de um outro que precisou ser entregue aos cuidados de um orfanato, mesmo não sendo órfão. Situações que fizeram com que eu perdesse rápido a inexperiência como docente de Ensino Fundamental.

A sala era mais ou menos assim: lembro que na fila da direita, perto da porta, sentavam-se três meninas crentes, dessas igrejas que não permitem que as mulheres usem calças nem cortem o cabelo. Eram excelentes alunas, caprichosas, mas que não participavam de atividades culturais, porque seus pais estavam convencidos de que cantar ou dançar fosse coisa do Diabo. Atrás delas, sentava-se um piá negrinho que, de anjo, só tinha o nome. Contava piadas como ninguém: um sarrista nato, que me fez gargalhar várias vezes durante a aula. E, ao lado dele, ficava um guri preguiçoso que escondia o lápis pra ter a desculpa do porquê  não fazia as tarefas. A sua fila era composta só por primos, unidos em tudo: só brincavam e brigavam entre si. Ficava na terceira fileira um piá de olhos grandes que punha o fervo na turma. E lá no final da sala, na última fileira, perto da janela, estava a Ritinha, uma menina calada, magricela, despenteada, voz baixa. Sua mãe é doméstica e o pai, que trabalhava no corte de cana, tinha falecido havia pouco tempo. Toda semana ela vinha me contar alguma coisa, mas em sentenças curtas, pontuais.

Enquanto eu corrigia o caderno de um aluno na minha mesa, vi que a Rita aguardava de pé sua vez de falar comigo, segurando dois bombons. Após o último visto, perguntei o que queria. Antes de falar, mordendo os beiços com cara de contentamento, depositou um bombom sobre meu livro de chamada, bem devagarinho. Sua mão, encardidinha, com esmalte pink descascado, mais parecia estar colocando uma pepita de ouro, tal era a solenidade que demonstrava (o chocolate valia mesmo ouro). Por fim, me disse:

— Psor, a mãe vendeu um berço velho que tinha lá em casa e até fez compra ontem. Daí ela deu um real pra mim e pra minha irmã. Ela guardou o dinheiro. E eu comprei dois bombom. Esse aí é pro senhor.

O chocolate daquela menina pobre era um agradecimento. E, enquanto ela voltava correndo para o seu lugar, alternando suas perninhas finas – dois palitos – eu me segurei pra não chorar.

Obrigado, Ritinha! Seu bombom teve muito valor. Para mim, ele eles compensam as notícias diárias de corrupção e violência. Ele me diz que o Brasil vai ser melhor daqui uns tempos.