segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Poética

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira
(1886-1968)

6 comentários:

Gilson disse...

Fabio

Gostei muito do teu Blog. Estarei te seguindo para poder compartilhar contigo seus posts.

Abs

Fábio Sexugi disse...

Fico feliz, Gilson! Abraço!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

nossa, eu amoe essa poesia, e ela é minha meta. falo dela ao menos uma vez por semana, quando alguém me propões filmes ou livros que possuem lirismo, mas não me levam À liberdade. belo post

Gilson disse...

FELIZ NATAL FÁBIO.

ABRAÇO

Francisco Nery disse...

aaa bandeira.. vc ainda me mata!

mt legal seu blog;
obrigado por me fazer reler essa poesia, fazia tempo que tinha lido a ultima vez!

um feliz ano novo!

Amanda disse...

Estou te seguindo, um blog muito bacana.

Beijos em versos!!!