quarta-feira, 30 de julho de 2008

Poema para Frei Tito


Conflito
e prosa
nas noites jovens
silenciosas
de Deus, dos homens
Sufocado
Ecoa o grito
calado
de Frei Tito

Justiça...
Paz...

Tito Nordestino
Tito de Alencar
Tito Clandestino
Tito de Além-Mar

Roma...
Paris...

Frei sem receio
Frei da viola
Frei que viola
A lei do freio

Terço...
Foice...

Frei Delito
Frei Bendito
Frei Maldito
Frei Tito

Fleury...
Marighela...

Tito
dominicano
bandido
procurado
do sol quadrado
do sol aflito
Santo profano
Santo contrito
avermelhado

Engels...
São Domingos...

Tito risonho
da utopia
Tito do sonho
da poesia
Tito aditado
todo ternura
Tito cansado
pela tortura
Tito marcado
pela saudade
Tito banido
pela história
Tito exilado
desigualdade
Sentenciado
pela memória

Pátria Amada..
Brasil...

Papagaio


A pipa a pino no céu
tem saudades do piá
que carrega o carretel

terça-feira, 29 de julho de 2008

Rabiola


O piá que empina pipa
também voa, participa
da aventura-ventarola



Sinuca


Com soberba de juiz
A vida nos prepara
nos mascara
com traços de giz


No vaivém
a vida nos empurra
a vida nos detém
esmurra
mantém


Refém

Mas também
quando a vida
bate ofendida
na vida de outrem
meu bem
não há saída
não há porém
a batida
doída
arruína

até o mais afoito
ninguém escapa

Encaçapa
Bola 8!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

domingo, 27 de julho de 2008

Superna notula


Não escrevo poesia
é ela que me escreve
é ela que se atreve
a grafar-me, tirania


Poesia não se lavra
nasce sozinha
erva-daninha
erva-palavra


Poema não se poda
é soberano
sobre-humano
incomoda


A poesia está em tudo
é quase ente
onipresente
onidesnudo

sábado, 26 de julho de 2008

Vento

Quisera
mudar-me em sopro
vento
brisa branda
e jogar-me em vôo
solto!

Roubar pelas matas
errante
pétalas de açucena
e jogá-las em confete
no teu colo sutil
Tocar suave teu rosto
Soprar leve teus cachos
se cansada
sozinha
deitares à sombra do ipê-rocho
refrigério
e sentir-me no ar
dente-de-leão
pétalas no chão
Abranger teu corpo meigo
eu
vento apaixonado
Agitar teu vestido
sopro volúvel
caindo aragem
de teus seios aos quadris
fitar ligeiro teus olhos
frutos de castanheira
Contemplar teus dentes
alvo ramo de azaléias
Beijar tua alma
eu
brisa pungente
consagrar-me à tua carne moça
E em seguida
retornar
eu
livre
às mesmas matas
santuário


رقص شرقي

Dança!
Que meu peito batente te faz percussão.

Ferve!
Que teus seios ornados são fogo e paixão.

Balança!
Teus cabelo exalante perfume de incenso.

Escuta!
Meu respiro ofegante ao teu ritmo propenso.

Move!
Em curvas volúpias o teu ventre poético.

Beija!
Esta boca sedenta do teu sabor magnético.

Vê!
O fascínio que tuas pernas motivam neste mouro.

Completa!
O encanto fatal que jogaste em agouro.

Salta!
Que teu baile inebria mais que araq gelado.

Baila!
E tritura de vez meu coração judiado.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ave, Maria!

A tarde mansa e sem alarde,
Em brisa leve ao fim do dia,
Se mescla à noite às seis da tarde
E chama os crentes à Ave-Maria...

É nessa hora, quando anoitece,
Ao cerrar do breu como cortina,
Que a Virgem ouve a cada prece
De quem no mundo peregrina.

Que no teu rogo, Senhora minha,
Se ache o nome deste vão poeta.
Que meus rabiscos, qual ladainha,
Louvem de Deus a mais dileta.

Ao som sagrado de Gounod
Ou na sanfona orante de Luiz Gonzaga,
Ofereço cantando o que sou
Àquela que as dores apaga.

O badalar rijo do sino
Também lhe canta amor sincero,
Como o fez Tomás de Aquino
E até Martim Lutero!

Sob luz tíbia e à caneta,

poetizo eu à minha maneira,
Pois nas areias, José de Anchieta
Já exaltava a Medianeira.

E não há mortal que enumere

Os poetas todos da Mãe-Donzela:
Raimundo Correia, Dante Alighieri,
Olavo Bilac, Fagundes Varela...

E até que eu tenha fôlego no peito,
Também terei a poesia,
Que mostre todo meu respeito
E meu amor à Mãe Maria.


Orate, frates!

Ora,
Embora,
Em boa hora.

Vésper desponta

Esperarei que o sol caia no horizonte
E que a lua surja por detrás dos montes
E olhando a noite nascer sorridente
Procurarei a estrela mais reluzente
Cujo brilho as outras despreza
E pedirei baixinho, como quem reza:


"Ilumina, irmãzinha, os seus sonhos
e que os anjos lhe guardem, proponho
que esquente-lhe o coração, insisto
para que perceba enfim que eu existo
e que faça brotar-lhe um sorriso
cada vez que pensar em mim de improviso."

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Bem-Aventuranças

Bendita Dona Amazília, que briga pela juventude.
Bendito Seu José, que sai de casa às cinco da matina para cortar cana e só volta à noitinha.
Bendita Dona Penha, desbocada e sorridente, que faz faxina em cinco casas diferentes para sobreviver.
Bendita Dona Mirtes, que vive da venda de seus confeitos.
Bendita a velhinha japonesa budista que varre a minha rua inteira todos os dias com sorriso largo.
Bendito pastor Cido, líder de uma comunidade neopentecostal que, de bicicleta, vende verduras para sustentar seus três filhos.
Bendita Professora Zilda, que educa como mãe seus alunos e me oferece nó-de-sogra que só ela sabe fazer.
Bendita Dona Isabel benzedeira, que dá esperança a quem vive aquém da saúde pública.
Bendito Louviral, filho da Dona Jandira, que à tinta desenha um mundo mais bonito.
Bendita Cíntia que, mesmo pobre, não aceita que a pobreza sirva de desculpa para quem se perde na vida.
Bendita Dona Elvira, professora aposentada, que mantém sozinha há mais de 50 anos uma escola numa propriedade rural.
Bendito J.I. que tenta de novo sair do mundo das drogas.
Bendito Arleto, que exalta minha terra com sua poesia.
Bendita Dona Nely, voluntária da Pastoral da Criança.
Bendito Seu Elói, o taxista, que faz corridas gratuitas pra vizinha anciã doente.
Bendita a filha da mãe que se matou, e que agora tem que cuidar sozinha da casa, dos irmãos e do futuro e, ainda assim, não blasfema.
Bendita Dona Joaquina, que reza o terço todos os dias intercedendo por todo mundo, sendo, mesmo analfabeta, a maior teóloga e pedagoga que conheço.
Bem-aventurada é minha gente, no seu peito aberto e nos seus pés vermelhos!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Pseudopoema

Diante do teu olhar
castanho, prudente,
uma paz estridente
me vem perturbar.


E fogem meus versos
se você se aproxima
Mas que foda-se a rima!
Vá à merda o universo!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Jornada da Juventude

Enquanto em Sydney, cristãos do mundo inteiro participavam da 23ª Jornada Mundial da Juventude com o papa, na cidadezinha de Farol [da famosa Prefeita Dina Cardoso], jovens da região de Campo Mourão participavam da 1ª Jornada Diocesana da Juventude.


Eu também estava lá para dar uma palestra sobre a realidade dos jovens na nossa região, que não é nada boa pelos motivos que já evidenciei aqui mesmo, anteriormente. Encontrei jovens de várias idades e de todos os tipos: carismáticos, pejoteiros, marianos, cursilhistas, vicentinos, seminaristas, católicos de rito ucraniano, luteranos e até ateus. Conversei com vários deles, escutei suas expectativas, seus receios, suas músicas, suas frustrações, suas piadas e até me diverti jogando sinuca e ping-pong de madrugada enquanto arranjavam um lugar pra eu dormir.


Todavia, entre eles, o que me chamou atenção foi um grupo de jovens paulistas que vestiam roupas vermelhas, vendiam bombons e se destacavam pelo sorriso espontâneo e fácil, membros de uma tal Missão Pelicano. Depois da minha fala no sábado de manhã, uma vermelhinha - que chamava todo mundo de "santo" [inclusive a mim!] - me ofereceu um bombom de castanha, comentou sobre o que eu acabara de falar, perguntou o significado de algumas palavras latinas e falou da sua vida, de como deixou a família no Estado de São Paulo para viver em comunidade, servindo os pobres, aqui no interior do Paraná. E isso tudo me deixou muito esperançoso.

Jovens da comunidade Missão Pelicano.

Saí de Farol animado, com a esperança de que esses jovens serão faróis para a realidade escura que enfrentam hoje. Eu creio na força de mudança da juventude. E a eterna Helena Kolody também:

JOVEM
Suporta o peso do mundo.
E resiste.

Protesta na praça.
Contesta.
Explode em aplausos.

Escreve recados
nos muros do tempo.
E assina.

Compete
No jogo incerto da vida.

Existe.

Força juventude!

domingo, 20 de julho de 2008

Puta que pariu! Morreu Dercy Gonçalves

Morreu ontem, aos 101 anos [ou 102, como sustentava], a mãe da comédia brasileira, a dama da espontaneidade e do bom humor. E eu jurava que a Dercy ainda ia me enterrar. Que porra!

Pra recordar, destaco dois vídeos que publiquei recentemente no YouTube com participações da atriz na TV:

Nada Além da Verdade [SBT]


Inclusão [TV Câmara]

Surata Vespertina

Em Nome de Allah
o Clemente, o Misericordioso
é que eu decido rogar
do meu jeito teimoso

Pelas contas do masbaha,
peço ao Deus do Islã
que renove a minha garra
na chegada da manhã.

Dai-me força e coragem
E me faça caminhar.
E se as areias, em miragem,
Desejarem me enganar,
Concedei-me malandragem
Ó indulgente Allah!

Que sejam minhas preces
Audíveis ao teu tímpano
Se é que te compadeces
Deste teu filho do Líbano.

Pelas páginas do Alcorão
E daquilo que lá contem
Escutai minha oração
Agora e sempre. Amém!

sábado, 19 de julho de 2008

Viu? Avise!





Lucas desapareceu no dia 21 de junho de 2008, quando saiu para brincar na rua com o irmão, Caio Pereira, 8, no Jardim Beatriz, periferia de São Carlos [232 km da capital paulista]. Os dois meninos e a mãe, Marcelene Érika Pereira, se mudaram no começo do mês para a cidade.

As informações sobre o menino devem ser passadas para a DIG de São Carlos pelo telefone [016] 3374-1596

sexta-feira, 18 de julho de 2008

PoMSN [Autopoema]

Sou neto de Toufic Sati
que me deu o sangue árabe
e a coragem do combate.

Sou descentente primeiro
da incansável professora
e do laborioso pedreiro.

Sou Fábio Alexandro
e Sexugi por sobrenome,
ao qual peço que se some
adjetivos de fé, de luta:
Brasileiro, Peabiruta.

Se as linhas que formato
te fizerem algo bom,
por favor, entre em contato:

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Morada

Minha casa é um recanto do mundo
a doze passos do coração.
É horta fértil, jardim fecundo,
pelos Campos do Mourão.


Minha casa é colo e cafuné,
é cheiro de mate e pão caseiro,
é força e vida, vigor e fé
que canta o sino de Engenheiro.


Minha casa é abraço apertado
onde a Gralha Azul fez ninho.
É beijo tímido, apaixonado
nos cafezais de Sertãozinho.


Minha casa é floresta que se avista
da janela velha rindo à toa.
É semente nova que o altruísta
acomoda e rega em terra boa.


Minha casa é pinheiro, é cipestre
que penumbra, em trilha oportuna,
os tapetes do ipê roxo, flor silvestre
nas calçadas de Araruna.


Minha casa tem gosto de Carneiro ao Vinho,
Sabor sagrado, segredo sangrado no sul.
É terra rubra que pinta o pé pelo caminho,
é sossego, saudade e sol. É Peabiru.



quarta-feira, 16 de julho de 2008

Amor-Metade

Não há amor impossível.
Há sim somente amor
ou seja lá o que for
que faz o homem mais sensível

Não existe amor platônico.
Há sim amor covarde
que encoberto, sem alarde,
deixa o bem para mais tarde.

Também não há sinceridade
em quem se faz indiferente.
Pois se esconde o que sente,
faz do amor, amor-metade.

Como folha solta ao vento,
assim a vida nos empurra.
E é das coisas a mais burra
dissimular o sentimento.

Porém se a ousadia
beija o coração humano,
torna o fardo leviano
e mais pesado, todavia.

Mais inculta e menos bela

A língua camoniana mais uma vez vai ser mudada pelo acordo ortográfico. Trata-se duma mudança besta, desnecessária, completamente dispensável tanto do ponto de vista político e mais ainda do cultural e lingüístico. Digo isso porque não é concebível que, diante da fartura de discussões acadêmicas sobre a natureza da língua e da repercussão que essas mesmas discussões costumam ganhar, aceite-se tão passivamente que meia dúzia de políticos venham nos dizer como devemos escrever nossa própria língua-mãe, sob o pretexto de dar maior visibilidade à língua no mundo moderno [como se o mundo e mesmo os próprios países afetados pelo acordo estivessem lá interessados na unificação das grafias].

A língua é em si mesma. Tem vida própria. E como tal, deveria ser soberana, imune às imposições das frescuras dos políticos. A ortografia e as estruturas gramaticais deveriam acompanhar o curso natural da vida de uma língua e não podem estar sujeitas ao autoritarismo de pseudolingüistas bajuladores do poder de Brasília/Lisboa [porque só pela puxação-de-saco é que conseguem estuprar nossas gramáticas, impondo à força, artificialmente, aquilo que pela via das idéias são incapazes de fazer].

Insisto: a língua é em si mesma. E, sociolingüisticamente, é bobagem pensar que brasileiros, portugueses, moçambicanos, angolanos, guineenses, timorenses e são-tomenses, que têm culturas completamente diversas, vão falar de modo uniforme, como pretendem os caras do poder. Não farão isso, porque o que difere esses gentílicos em relação à língua comum vai além da grafia: está na gramática natural, nas expressões usadas que são únicas para cada um deles. E não adianta usar sebentas pirosas para defender essas injunções, dado que o tal acordo, pra mim, vale menos que uma chávena de bica numa locanda de bairro de lata ou uma bacorada que um tulho qualquer conta. [Não entendeu? Quem sabe o acordo ortográfico ajude você! Já que é exatamente isso que pretende o tal tradado.] Pois bem, se a gramática não suporta todos os fenômenos lingüísticos, tampouco a legislação dá conta das diversidades gramaticais profundamente enraizadas nos países cujo português é a língua-pátria.

Esse tratado político – estrita e unicamente político – me causa freqüente enjôo [com trema e circunflexo, claro!] porque todos os países envolvidos, até mesmo Portugal, têm assuntos mais urgentes para tratar. E, a despeito do acordo, vou continuar rabiscando como aprendi. "Graphar é a vingança", como diz bem o poeta João Filho.

Uma coisa é certa: o acordo ortográfico vai deixar o famoso poema de Olavo Bilac desatualizado.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Xícara


JJ 3054

— Desacelera, desacelera!
— Não dá! Não dá!
— Ai meu Deus!
— Pô, meu. Varou...
— Vira, vira, vira! Vira, vira, vira... [Barulho do choque]

O diálogo desesperado acima, registrado na caixa-preta do Airbus 320 da TAM, foi levado ao ar pelo Jornal da Record de ontem, que mostrou ainda que o descumprimento de uma norma foi determinante nesse acidente aéreo que deixou 199 mortos [entre os quais, a peabiruense Zenilda Cunha].


Zenilda, com a família. Estavam todos no avião da TAM.

A reportagem exibiu também as pilhas do inquérito policial que já têm mais de 13 mil páginas. Nelas, consta o depoimento do tenente Gilberto Schitiini que, na época, era gerente da Agência Nacional de Aviação Civil. O tenente faz referência a uma determinação acordada numa reunião em 13 de dezembro de 2006, entre a Gol, a TAM, a Bra e a ANAC, proibindo o pouso de aeronaves com reverso pinado [travado] em pista molhada no aeroporto de Congonhas. Se essa norma tivesse sido levada em consideração, certamente a maior tragédia da aviação brasileira teria sido evitada.

Eu estava na Itália quando o acidente aconteceu, participando dum congresso. Além da tristeza que certamente arrebatou o Brasil inteiro, senti uma vontade tremenda de voltar para casa. [E ali, bem longe da Pátria, eu entendi e senti pela primeira vez o que talvez signifique Pátria.]

Voltei dois dias depois, conforme previsto.



Desembarcando no Aeroporto do Galeão, no Rio, me vi no meio dum caos duzinferno: tive que encontrar, no meio daquele vuco-vuco insuportável, a agência da TAM para, finalmente, embarcar pra São Paulo. Aconteceram algumas coisas engraçadas que prefiro não escrever aqui para não perder o foco do assunto principal. Mas, caso queiram saber, me adicionem no MSN [sexugi@hotmail.com].

Pois bem, cheguei a São Paulo ainda à noite, onde era visível o abatimento das pessoas. Era como se todo mundo tivesse perdido um familiar naquela maldita aeronave.

Eu estava de volta ao Brasil, de volta à minha gente, à minha língua [com suas crases facultativas antes de pronomes possessivos]. Mas também de volta ao Brasil da impunidade, do conformismo, do descaso, do jeitinho.

Um ano depois, aquilo que não precisava mudar, mudou: o acento agudo nos ditongos abertos e nas proparoxítonas precedidas de ditongo; o circunflexo em palavras com hiato; a maioria dos hifens; o acento diferencial; e o trema [até meu querido trema] já estão todos no Airbus 320 do acordo ortográfico, prontos pra lançar vôo.

Enquanto isso, na Sala da Justiça [ou da Injustiça], a fome, a miséria, o desemprego, a impunidade, a corrupção [a putaria escancarada da corrupção], o analfabetismo [das letras e da política], a desordem, a estupidez e o caos continuam mais vivos do que nunca, bem seguros, em terra firme. A morte, paradoxalmente, também continua viva.

Vive. Mas a esperança também.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O rosto de Deus está feio


Na Festa do Carneiro no Buraco em Campo Mourão, uma adolescente de 15 anos foi assassinada com um tiro na cabeça. No último sábado, em Peabiru, um jovem foi morto com vários tiros em plena luz do dia. Seu assassino é jovem também. Poucas horas depois em Campo Mourão, um rapaz de 21 anos foi assassinado a pedradas.

Diz um cantor católico que Deus tem o mesmo rosto da juventude.

A cara de Deus, então, está desfigurada.
Ele está feio!

Altino Pipoqueiro

Lá vem Seu Altino
Trazendo pamonha
Pode pegar, ô menino!
Não tenha vergonha!

Me vê duas, Seu Altino
E dê o troco de paçoca
E assim segue seu destino
O vendedor de pipoca



Saudades de Chiara



"Nada do que é feito por amor é pequeno."
[Chiara Lubich]

domingo, 13 de julho de 2008

Balada do Poeta Biruta

Se insano é Olavo dos Guimarães Bilac
Com seu "Delírio", sua "Via Láctea"
Sensatez de que serve? Mate-a!
Havendo, pois, quem me ataque
Por dizer que falta um parafuso
Em Fernando Pessoa de Portugal
Ou por chamar Camões de anormal
Imprudente que sou, escuso.

Tem senso Drummond de Andrade
Dizer que há gente com cheiro de cafuné?
E agora, José?
Agora é loucura, genialidade!

Poesia é o hospício d’alma
Hospício que não sana, vicia
Il cui Dante portò dal cielo della pazzia
Dal cielo che mi rubba la calma

Até Kolody, minha favorita
Na brevidade dos haicais
Mostra que não são normais
Os namorados da escrita

E se divago em tom introspecto
Rabiscando sob tensão metalingüista
É que ainda há quem insista
não ser louca Clarice Lispector

Palavra inútil e filadaputa
Derramo agora em meu teclado
Poema sem jeito, inadequado
Inquieto, peabiruta

Sou louco, sim, sem exceto
Como louco é Miguel Sanches Neto
E se também o é Alex Dancini
Haverá quem me recrimine?



___
P.S. Escrevi esse poema pensando numa afirmação do poeta ararunense Alex Dancini [sobrenome cuja pronúncia eu pensava que fosse "Dantchini"] que, comentando a postagem anterior a essa, disse: "Escrever aquilo que está na mente é o início da corroboração de que se é um pouco louco".

Depois duma breve discussão comigo mesmo, concordei. Sou doido, biruta. Reconheço.